Após a separação do primeiro casamento (1975), resolvi investir em minha nova vida de solteiro: fui morar sozinho na Rua São Vicente de Paula (Higienópolis), comprei uma moto Honda 750cc semi-nova e, logo em seguida, um carro Puma cor vinho e conversível.
Como a moto era preparada para competição ("envenenada"), dificilmente alguém conseguiria andar devagar com tal máquina. Lembro que perdi totalmente a noção do perigo em duas ocasiões.
Na primeira vez eu estava com uma garupa, indo pegar a balsa do Guarujá para Santos avenida da balsa. Era uma reta só, não tinha lombadas e radar, então, quando entrei no início da avenida, apareceu um Volks Porsche, com dois garotos convidando para um racha. Não tive dúvida: emparelhamos e aceleramos. Foi um racha difícil. Andamos juntos a mais de 120 km por hora até a balsa. Foi quando repentinamente freei e me dei conta da besteira que estava fazendo, colocando em perigo a vidas de outras pessoas.
Na outra ocasião, estava voltando do Guarujá pela Avenida Imigrantes às 7h00 para trabalhar. Na reta, antes de chegar ao pedágio, olhei para os lados, para frente e não vi ninguém. Senti aquela sensação de liberdade, acelerei tudo na moto e, quando estava chegando ao pedágio, para minha surpresa, um batalhão da Polícia Rodoviária estava me esperando, com a multa do cronômetro cravado em 178 km por hora. E tive mais uma surpresa: eu não tinha percebido, mas o licenciamento da moto estava vencido! Não preciso dizer que voltei de carona para São Paulo, sem a moto, não é mesmo?
A aventura do carro Puma começou com minha visita na fábrica de automóveis para escolher o modelo e a cor que seria pintado, na Comercial MM na Avenida Santo Amaro. Chegado o dia, fui retirar o carro para passear em São Paulo. Porém, para a minha decepção, no mesmo dia, após rodar alguns quilômetros, o carro esquentava e "morria" repentinamente de causas não esclarecidas. Lembro que alguém disse que poderia ser a bomba de gasolina, então, passei a andar com água no carro e toda vez que acontecia tal problema, eu parava o carro, descia e, com um pano embebido de água, eu colocava na bomba, aguardava um pouco e o carro voltava a funcionar normalmente.
Depois de muitas visitas a Comercial MM, com a promessa de que o problema tinha sido resolvido, resolvi viajar para o Guarujá, confiante que o carro estava perfeito. Então, não me preocupei em levar a água. No momento que entrei na Piaçaguera, e já era noite, o carro resolveu "morrer" e naquele tempo a estrada era praticamente nova, sem iluminação. Não existia celular, não tinha telefone de estrada, então, no breu da noite, saí do carro à procura de água para resolver o problema e ir embora antes que a situação se agravasse.
Não sei de onde e como surgiram dois pedestres; provavelmente eram moradores da região. Consternados com meu problema, indicaram um pequeno riacho no meio da escuridão. Segui, então, o procedimento padrão; o carro voltou a funcionar e continuei minha viagem.
Com o tremendo susto na estrada, resolvi voltar a Comercial MM disposto a devolver o carro ou ter o problema devidamente solucionado. Uma equipe de engenheiros da fábrica, juntamente com o pessoal técnico da revenda, desmontou literalmente o carro todo, trocaram muitas peças, para tentar achar o problema.
Graças a este empenho e dedicação, descobriram a causa: um pequeno cano que faz a ligação entre o tanque e a bomba de gasolina estava parcialmente entupido por defeito de fabricação, o que causava aquecimento na bomba quando o tanque de gasolina estava pela metade. Como foi descoberto? o tanque de gasolina estava amarrotado de tanta força que a bomba fazia para bombear a gasolina.
Depois deste dia, só tive alegria com o carro! Imaginem o que é andar de carro conversível em São Paulo, em pleno verão, desfilando na Rua Augusta… Até o dia que pegou fogo no motor em plena Avenida Henrique Schaumann, o que fez com que eu repensasse em minha segurança. Assim, com muita tristeza, vendi o carro para um novo dono, que levou junto minhas boas lembranças que vivi dirigindo este carro.
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