Avenida São João até Xavier de Toledo/1960

Lá pelos anos de 1960, a cidade de São Paulo, principalmente o centro, era o local onde íamos passear. Tinha os melhores restaurantes, teatros e cinemas, todos muito luxuosos.

Eu era incumbido todo domingo de ir ao apartamento de minha tia Gina buscá-la para dormir em casa, pois na segunda-feira ela fazia a feira que tinha na Rua Francisco Leitão, em Pinheiros, onde morávamos. Tia Gina morava na Avenida São João, perto da Avenida Duque de Caxias, em frente a Rádio Cultura.

Lá pelas 19h00 saíamos do apartamento e jantávamos no Gato Que Ri, como bons descendentes de italianos (o nosso prato predileto era uma bela macarronada regada sempre por um ou dois copos de vinho tinto suave, que ela gostava).

Saíamos do restaurante, passávamos no Largo do Arouche, onde tinha aquelas floriculturas que ficavam abertas a noite inteira, pois ela gostava de ver as flores. Na Avenida Vieira de Carvalho parávamos na Doceira Dulca para comer doce; eu sempre pedia bomba de chocolate e ela pedia aquele doce triangular que não me lembro o nome.

Voltávamos na Avenida São João para passar em frente ao Teatro Natal, na Praça Julio Mesquita, para ver se encontrava meu primo José Antonio, que era amigo de todos os artistas que trabalhavam no Teatro Natal.

Aí íamos até a Avenida Ipiranga com Avenida Rio Branco, onde ficava a Viação Cometa, e na Avenida Ipiranga quase esquina da Avenida São João, o Expresso Brasileiro, pois ainda não tinha a rodoviária da Avenida Duque de Caxias. Ela gostava de ver se tinha algum conhecido que ia para cidade de Ribeirão Preto, para conversar e mandar notícia para minha prima Leda, que era sua filha.

Seguíamos pela Avenida Ipiranga, passávamos em frente aos cinemas Ipiranga e Marabá para ver as manchetes dos filmes em cartaz, ia pela Rua Barão de Itapetininga, que era a rua chique na época, com lojas e suas belas vitrines.

Aí chegávamos ao Mappin Store, de onde saíam os bondes para o bairro de Pinheiros e Vila Madalena.

Naquela época era uma tranqüilidade passear pelo centro; não tinha as barbaridades que hoje vemos pela televisão, com os viciados e trombadinhas que rodam pelo centro.

Quem viveu naquela época e pôde usufruir daqueles momentos, sem a violência de hoje em dia, fica muito triste de ver como ficaram esses locais.

e-mail do autor: [email protected]