Assim começa um time, um clube de várzea – CRB – Clube Recreativo Bragança

Como a maioria dos times de várzea, seu nascimento ou fundação tem praticamente a mesma forma com pequenas diferenças, o nome “várzea” se deve aos primeiros times terem seus campos à beira dos rios, principalmente Pinheiros, Tietê e Tamanduateí, e com o passar do tempo para o interior dos bairros, onde hoje está a maioria.

Assim aconteceu com CRB, nada tem a ver com seu homônimo profissional de Alagoas, esse foi fundado em 19 de março de 1989, por um dos mais antigos moradores da Vila das Belezas, Benedito Antero Siqueira, conhecido pelo apelido carinhoso de “Seu Zico”, que foi o primeiro presidente, morador da Rua Bragança Paulista, antiga Rua Manoel Bragança, devido ao sobrenome dessa pessoa que empresta o nome a rua, a turma batizou o time.

Como muitos times, o CRB, foi uma ideia que surgiu de várias “peladas”, ”rachas” de rua, campinhos improvisados e depois, a ideia, regada a cerveja em conversa de bar e justamente em um bar da Rua Manoel Bragança nº 79, bar do Sr. Zico, no alto de Vila das Belezas, onde o fato se consumou em time de futebol.

Os primeiros jogadores foram: João Bosco – Zico – Cabeção – Geraldo (filho do Sr. Zico) – Juca – Eli – Jaime do frango– Didi – Valdir (Valdir da granja) – Lauro – Zé bundinha – gaucho – Neguinho – Guilherme – Edilson – Beleza – Marquinhos – Nenê branco – Nenê preto – Lau Caroço – Waldemar, entre outros, com essa turma a ideia do time tomava corpo.

Nesse dia no bar, o Juca resolveu fazer uma “vaquinha” com os colegas para arrecadar fundos para comprar um jogo de camiseta na cor azul e amarela, não se sabe o porquê dessas cores, devia ser ponta de estoque, portanto mais barato.

Esse uniforme foi comprado na loja do Maurício do Jardim São Luiz, (falecido em 1995), loja esta localizada na Av. Rio Branco, de nome “Bola Preta, em Santo Amaro, foram adquiridas apenas 12 camisas.

O primeiro técnico realmente foi o Adilson, filho do Brandão, antigo quarto zagueiro do Vila das Belezas F. C. nos anos 50/60.

E com esse uniforme os jogos aos domingos tornaram-se mais constantes e as derrotas também, durante o ano todo raramente ganhavam um jogo, mas a turma não desanimava e assim passava o tempo, todo domingo um jogo e uma cervejada e a alegria dos comentários, das críticas e dos elogios.

Com o passar das semanas, o Roberto, conhecido como “Banespa” um dos fundadores, preocupado, pois o time ganhava força mas não tinha jogadores competitivos e perdiam muitos jogos, como ele conhecia o Pascoal do Jardim Casa Blanca, que jogava em vários times da região, resolveu chamá-lo para jogar e pertencer a diretoria, Pascoal aceitou de imediato, mesmo porque ambos era amigos desde criança e o Pascoal aproveitou e levou alguns jogadores para reforçar o time.

Após alguns jogos, Pascoal, já entrosado no clube, resolveu chamar o Banespa e demais diretores e pediu para mudar a estrutura e montar um time mais forte com novos jogadores e assumiu a direção técnica do time com o Banespa e definiu uma diretoria com outros membros.

O time foi crescendo, recebendo novos adeptos, inscreveram-se na liga de Santo Amaro (lLiga Esportiva Grande São Paulo) e começou a disputar jogos em campos normais, mas sempre fora do bairro, pois o time não tinha campo.

Após dois anos, em 1991, o Sr. Zico se afastou da presidência por motivo de doença, mesmo porque já não acompanhava mais o time e assumiu o Roberto “Banespa” e deu mais uma mexida na diretoria com o Pascoal, Adilson e seu irmão Paulo Cezar, já falecido.

Apesar do progresso do time, as dificuldades eram grandes, para jogar fora o Pascoal tinha um fusquinha amarelo e lotava o carro com os jogadores, os demais iam de ônibus, muitas vezes o Pascoal fornecia bilhete de ônibus para os jogadores, senão o time ia jogar desfalcado, chegaram a arrumar uma Kombi velha alugada e quem bancava as despesas era o Pascoal e o Banespa, pois os jogadores não tinham condições.

Depois de alguns anos o time foi se reforçando, vieram dois jogadores de Guaianases, um goleiro do bairro da Liberdade chamado Vargas, amigos do Banespa.

O time já começava até a viajar, onde o primeiro jogo fora da capital foi em 1993, em Atibaia.

Com o passar do tempo o time saiu do bar do seu Zico, pois o mesmo parou com o comércio.

A segunda sede foi no bar do Toninho, de 1993 a 1995, onde hoje é um comércio de embalagens, Rua João Fernandes Camisa Nova Junior, 249, feito o convite o Toninho aceitou de imediato e ali começaram a se reunir e a ajuda era recíproca, a turma gastava no bar em bebidas e tira gosto e o Toninho ajudava nos troféus e uniformes. Mas como ele resolveu apoiar outro time chamado “resto do morro”, que dividia espaço com o CRB e causava um certo desconforto, portanto era melhor o CRB sair.

Nesse mesmo ano de 1994, o Sr. Hélio, grande batalhador pelo futebol amador, morador da antiga Rua 7-B, atual Adauto de Lima no Jardim São Luiz, um são-paulino fanático, tinha um time chamado São Paulo e também jogava sempre em campos de adversários, ele começou a construir um campo de futebol no Jardim Casa Blanca, onde hoje é o Colégio Caran e antes da escola era uma lagoa de águas turvas que a molecada do bairro nadava nas décadas 1950 até meados da década de 1960, essa lagoa era cercada por barrancos formada por capim alto onde havia muito preá.

Devido ao perigo que representava, a prefeitura drenou a lagoa e ali ficou um espaço abandonado, propicio para um campo de futebol.

Aos poucos o Hélio ia aterrando o local para formação do campo, um dia encontrando o Pascoal convidou-o para ser “sócio” nesse empreendimento, com uma colaboração por mês, o qual aceitou de imediato e com pouca verba iam aterrando a antiga lagoa. O campo foi inaugurado, jogaram como donos do campo O São Paulo do Hélio e CRB do Pascoal, durante uns cinco anos quando houve a desapropriação para construir o Colégio Caran.

Voltando ao CRB, a terceira sede o CRB, foi no bar da Cleuza, na antiga Rua Portugal, atual Rua Orlando Magnani,121, Jardim Casa Blanca, próximo ao campo em construção pelo Hélio.

A Cleuza aceitou a proposta do Pascoal e ficou de dar um uniforme ao CRB, e em troca a frequência do pessoal no bar dela, em 1994.

Nessa época entra para a diretoria do clube o Joãozinho, já falecido também, chamado de Paraíba, também nessa época vieram: o Dé, Zezinho, Luizinho, cunhado do Pascoal, esse pessoal juntado aos outros formaram uma nova diretoria, e com isso a Cleuza, além de ceder seu comércio, forneceu uniforme ao CRB, dava churrasco, cerveja como prêmio para a turma, ajudava a comprar troféus.

Porém, a Cleuza, um dia ficou doente e assumiu o Bar o Paulão, que arrendou o bar e continuou com o mesmo esquema anterior, fornecendo uniforme e todo apoio ao time até o ano de 2002, quando surgiram uns problemas, como a falta de espaço para a turma que crescia muito.

Nessa época o time recebeu um patrocínio valioso, que foi o do Germano “mãozinha”, que tinha uma empresa no ramo de cine-foto, chamada GRB Vídeos, que por muito tempo colaborou com o clube dando bolas, uniformes.

Já prevendo a saída do time do bar do Paulão, o finado Joãozinho que conhecia o “João do bar” da Rua João Fernandes Camisa Nova Junior, nº 142, deu a ideia de trazer o CRB para esse local, o que foi atendido prontamente.

O CRB nessa época tinha sido campeão no bairro do Jardim Ingá da copa verão em 1997, vinha para o bar do João com certa fama, time bom, e também com o título de vice-campeão da Copa Leões da zona Sul, patrocinado pelo Arthur da liga de Santo Amaro no campo do Democrata, em 1996.

Portanto, a quarta sede foi no bar do João, na Rua João Fernandes Camisa Nova Junior, nº 142, de 1996 a 2009. E em 2010 o bar do João, sede do CRB, mudou para a Rua José Genioli, 467, no Jardim Casa Blanca, tornando assim a quinta sede, sendo sede própria, com uma boa sala de reuniões, sala de troféus, uma diretoria, constituída por cargos regulares e registrada com CNPJ, e tornou-se uma família, onde possui também um quadro de sócio-torcedor que com alguns patrocinadores sustentam o clube, onde o jogador não paga a famosa “luva” ou taxa para jogar. Salienta-se que todas as sedes que ocupou ficavam em um raio de 500m uma da outra, fato relevante é que o João notou que a parceria era boa para ambos os lados, que se tornou diretor também fortalecendo a associação.

Vale lembrar que o Sr. Zico quando passou o CRB para o Pascoal proferiu a seguinte frase:

 “Pascoal, passo-lhe o time, pois estou doente e sem condições de dirigi-lo, sei de sua competência e amor, não deixará o time morrer.”

E podemos comprovar que além de um time é uma família.

Presidentes do CRB, através dos anos:

Sr. Zico, 1º presidente falecido em 10 de março de 1999. Pascoal, Banespa, Zézinho, Donizete, Márcia.

Divisões do CRB

Esporte- time principal parado (time dedicado aos veteranos). Diretores Afonso e Pop.

CRB joga atualmente no campo do CDC Brasília F. C.

Patrocinadores do CRB através dos anos: GRB vídeos – Panificadora Repolho – Mercearia Ricardo Tem-Tem – Bar da Cleuza – Bar do Martins – Depósito da Cida – ACF Usinagem – Bar do João.

O CRB possui em sua camisa duas estrelas, que identifica dois campeonatos que venceu. O primeiro foi no bairro do Ingá no campo do Ingá F. C. A segunda estrela refere-se à conquista da primeira Copa Brasília de futebol, denominada Copa Antonio Mouzino de Pontes, “são-paulino” em 15/ de novembro de 2009, campo CDC Brasília.

Cores do CRB = preto, vermelho e branco.

E creio que assim como essa história muitos se identificarão com seus times de coração do bairro e onde a diversidade de clubes, religião e etnia faz a unificação dos moradores em torno de uma agremiação local.