As voltas que a vida dá

Quantas saudades da juventude na querida e inesquecível V. Hamburgueza, bairro hoje promissor desta cidade de São Paulo, pois lá passei os melhores anos da minha vida: nos bailinhos nos clubinhos, nas garagens ou na sala da casa dos amigos.

Esperava ansiosa pelos fins de semana, quando nos reuníamos para dançar boleros, chá-chá-chá, sambas e todos os outros ritmos da época de 60, ouvindo esses sons que saiam de pequena vitrola, tocando discos de vinil, pois esse era o nosso único divertimento.

Nesta época já trabalhava para ajudar nas despesas da casa e não sobrava nada para nós, então tínhamos poucas roupas e sapatos, que eram divididos, um para os passeios e outro para trabalhar. Em certa ocasião, tive o prazer de adquirir uma sapatilha da moda que comprei no bairro da velha Lapa, e só a usava para dançar. Como dançava muito, ela rasgou o solado e sem posses para ter outra, coloquei um papelão por dentro dela, para não aparecer o buraco feito, e dançava sem levantar os pés.

Ah! Tempos difíceis aqueles, mas nos divertíamos muito, acho que não existia tanta tristeza como se vê agora, as crianças tem de tudo e reclamam, e ainda desrespeitam os pais. Nós, por nossa vez, obedecíamos e o que nossos pais falavam era uma ordem.

Hoje, graças a Deus, em relação ao conforto e consumo temos muito mais, adquiridos com nossos esforços, é claro, pois nada é de graça e eu agora tenho tantos pares de calçados que não sei qual escolher. Essas são as voltas que a vida dá e não posso mais reclamar, só agradecer aos céus por tudo que tenho.

E continuando a agradecer a este site, por puxar pela minha memória e me proporcionar tão bela recordação, obrigado.

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