Olá. Claro que sou uma das meninas. E lá se vão anos! Nasci ao lado da Lacta. Hummmm… Aquele cheiro de chocolate Gianduia, lá pelas 17h, em que ocorria era a troca de turno…
O bonde passava e íamos todas ver que lindo era o pessoal “chic” que descia alinhado, que vinha lá da Vila Mariana…
Pela manhã ia à padaria Estoril, levando a cadernetinha amarela da minha mãe, e pedia cem gramas de mortadela bem fininha (rendia mais, sem antes o moço dar uma fatia cortada em dois para mim e minha amiga que morava ao lado do Aleotti).
Falando da Aleotti, também tinha um menino lá que a gente via e ria muito… Do que? Sei lá. Apenas ríamos.
A primeira vez em que vi um japonês foi em um empório onde hoje é a Pernambucanas. Passaram-se tempos… E lá fui eu mocinha já…
Mudamos pro lado de lá da Avenida Santo Amaro. “Melhoramos de vida”, dizia mamãe. Fomos morar na Rua Sempre Vivas, do ladinho da Kibon, a primeira ladeira asfaltada do bairro… Oh… Era a nossa alegria: descíamos de carrinho rolimã ladeira abaixo com um canudinho aonde, na ponta, ia um alfinete e atirávamos nas crianças de cima (já que a minha rua era a última lá debaixo)…
Que alegria! E logo veio a bicicleta Berlineta. Nossa, que lindeza! Descíamos largando as mãos e os pés, indistintamente dos meninos e das meninas… E também fazíamos um desfile das bicicletas mais legais…
Mas como nunca tudo são flores, quando chovia o rio enchia e alagava nossas casinhas… Era uma tristeza e, ao mesmo tempo, uma união entre todos sem distinção, até a criançada lá de cima vinha empunhando pás, vassouras e esguicho… A gente se abraçava, e só nossos olhares se cruzavam, num silêncio gritante.
Quando lá pelos meus 14 anos, enquanto limpava a frente do barro, escuto um “Psiu!”. Era um dos meninos da rua de cima, ajudando a irmã casada a limpar a sujeira, já que ela estava grávida… Papo vai, papo vem… O tempo passou e me casei com esse “menino”. As vizinhas, nem tão mais meninas assim, ficaram tão felizes, pois fui a primeira a casar.
Enfim… Me formei no BVM, meus filhos também.
Tinha uma loja que se chamava “As três meninas” e meus brinquedos eram de lá…
Um certo dia, fui matricular meu filho no BVM, e eis que encontro também lá uma delas, e ficamos tão felizes! Meu filho ficou amigo do filho dela e foram até para a Irlanda.
Bem… Esqueci do meu primeiro emprego dos melhores da época. Passei no concurso do BANESPA, e trabalhei na agência 203-Brooklin-URB-SP desde 1977 e sou sócia do Esporte Clube Banespa desde meus 12 anos, onde entrava pela grade dos fundos com as meninas…
Hoje, aposentada e trabalhando em contabilidade, me deu vontade de escrever aqui, pois estava buscando algo no Google.
É isso. Nossa cabeça é uma fonte inesgotável de riquezas pessoais…
E garanto: tenho muito mais histórias pra contar!
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