Se na aldeia global, tivéssemos somente uma linguagem o mundo viveria em guerra constante, devido às diferenças. A linguagem serve para diferenciar as pessoas, umas se identificando as outras e as que não concordarem, ficam na sua aldeia.<br><br>Nada mais ofensivo, falo com profundeza de alma, do que tentar convencer o outro pela própria linguagem. A comunicação autêntica deve respeitar a linguagem alheia. Palestrantes sabem disso, professores nem tanto, mas sabem disso. Comunicadores aprendem por interesse a linguagem externa porque querem aproveitar-se. Vejo que os meios de comunicação, a mídia, os jornais, a televisão esforçarem-se para convencer, “ofertar” a chamada formação de opinião para levar vantagem.<br><br>Desconheço comunicação real, autêntica que visa apenas informar. Sempre, desculpem ser cético, mas sempre há a intenção de convencer, pela inverdade, a mentira, a falsidade. Lupicínio Rodrigues, compositor gaúcho, compôs escrevendo: "Onde está a falsidade, onde está a felicidade… Por isso aqui na terra não volto mais, não volto mais, a falsidade é muito grande por isso aqui na Terra não volto mais, não volto mais".<br><br>Vamos para o palco e o chão do paulistano. Aqui existem linguagens bem distintas. Quem mora na Lapa tem hábitos diferentes dos habitantes da Penha. Quem mora em Santana, a forma de se expressar não é a mesma da pessoa que mora em Santo Amaro. São Paulo tem as características heterogêneas de culturas distintas. Assemelham-se pelas beiradas, Bexiga, Brás, Mooca, Bom Retiro, Tatuapé, Centro, Luz. Admirável e respeitosa são as diferenças. Graças a elas, existem a motivação e a intenção de integração, cada vez mais atraente e interessante.<br><br>Abominamos a má intenção, aquela atraindo para explorar, convencer sem base, fundamentos, apenas para aparentar prazer, mas que não soma, divide. Em meus círculos de amizade, decepcionei-me profundamente, a razão de escrever esse texto é consequência. Mas não vamos dar nome aos “bois”, para quê. Vamos nos entender quem assume consequências de sua linguagem sincera. Assim aprenderemos quem são os verdadeiros e leais amigos. Por eles, podemos até morrer, entregar nossa vida, pois neste aspecto, é dando que se recebe, linguagem franciscana sem deturpações. O que mais gosto desse grupo é a manifestação da partilha. Aqui nada é nosso, tudo e repartido, nossas histórias de vida são repartidas, oferecidas de coração aberto, porque chegou-se a maturidade da vida. Sabemos que nada é nosso, tudo é compartilhado, tudo.<br><br>Já escrevi uma vez, que tenho três cidades em meu coração: Uma onde nasci, outra onde visitei e outra onde moro. Daqui vou para morada eterna. Importa, enquanto vivos, oferecer o nosso melhor, mesmo porque as diferenças, a divisão separa, não une, queremos unir nossos corações, unir nossos interesses porque sabemos que eles são o melhor que temos e que descobrimos durante a nossa jornada em solo paulistano. Quem se posiciona contra, vamos estranhar, é suspeito.<br><br>Escrevo esta história para reverenciar uma única linguagem, aquela do coração, do afeto, do comprometimento, do estar junto, vamos juntos, morreremos juntos se preciso for. História que chamo: as diferenças nos unem. Abraços.<br><br><br>E-mail: [email protected]