As Costureiras

Raras as casas que não exibiam sobre a mesa da sala ou guardada com carinho numa gaveta as revistas de modas ou figurinos, como eram chamados. Modelos de vestidos, saias, blusas etc., para todos os gostos. Lembro-me de minha irmã com suas amigas a folhear aquelas revistas em busca do modelo que lhes agradassem.

Depois de muita relutância decidiam-se, finalmente, e agora o próximo passo era comprar o tecido nas grandes lojas da Rua Direita, da Rua São Bento, Barão de Itapetininga e outras, especializadas no ramo. Em seguida, procurar a costureira do bairro, tirar as medidas, fazer as provas, os ajustes e estava pronto um belo traje, a preço acessível, para o próximo baile, casamento ou aniversário.

As costureiras, além de prestar seus serviços eram também amigas, conselheiras e estavam sempre muito bem informadas sobre tudo, ou quase tudo, que acontecia no bairro. Rompimento do noivado, o parto de fulana, a nova moradora do 211, os preços dos remédios e o último capítulo da novela das oito. Nada passava desapercebido aos olhos e ouvidos dessas infatigáveis trabalhadoras.

Com o passar do tempo as costureiras foram perdendo espaço para os estilistas que criavam roupas personalizadas, exclusivas, a altos preços e gostos discutíveis. A costureira de bairro passou a ser, apenas, uma coadjuvante, uma peça da imensa engrenagem das grifes famosas que movimentam milhões de dólares no mundo inteiro.

Existem ainda, mas sem a mesma criatividade de outrora; fazem pequenas reformas, reajustam as peças apertadas – madame engordou – e reduzem as medidas quando necessário – madame também emagrece. Não sei quem ganhou com essas mudanças, mas de uma coisa estou absolutamente convencido: as costureiras perderam.

Este texto é uma homenagem a Laura Kroiss, uma das costureiras das fardas usadas pelos soldados paulistas na Revolução de 32. Morreu no dia 04/08/2009 com 101 anos em Jundiaí.

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