O Nono estava montando o sítio em 1956. Ele ia para São Roque e ficava lá o dia inteiro e voltava no fim do dia. Não tinha ainda a casa e nem tinha caseiro. Ele começava a projetar onde ia fazer a casa. Onde ia fazer os cercados para os porcos, coelhos, patos, galinhas, pombos e o tanque de carpas.
Onde iria plantar as árvores frutíferas, onde seria horta. Como ia cuidar do terreno alagadiço para o arroz e agrião. Ficava na labuta, nos enxertos de árvores e o dia passava e ele nem comia nada. Uma noitinha voltando do futuro sítio furou o pneu do jipe na estrada, pertinho de Cotia.
Estava trocando o pneu aparece um senhor e pergunta se pode ajudar. Ele morava em frente. Meu nono pergunta se ele conhece algum restaurante ali perto, para comer alguma coisa. Estava um frio de lascar e ainda faltava um bocado para ele chegar em casa. Ele diz que não tem nada nos arredores, mas que se meu nono quiser uma sopa que ele tinha preparado ele poderia entrar.
Ele aceita e entra na casinha simples do senhor atencioso e boa gente. Servem para ele uma sopa quente e um pouco de pão. Ele colocou o pão na sopa. Quando o senhor perguntou se estava boa ele disse: – Foi a melhor comida do mundo. Naquele frio e com a fome que meu nono estava… Ele lembrou daquele dia muitas vezes.
Depois que o sítio ficou pronto, a gente trazia muitas frutas, verduras, galinhas, ovos, porcos e coelhos de lá. Lembro do jipe sempre cheio com alguma coisa para ir e para voltar. Tinha que se levar comida para as criações. Tínhamos de trazer aqueles sacos cheios de frutas que abarrotavam as árvores. Trazer as verduras e preparar aquele monte de assados com as criações.
No fim de ano só mesmo com o forno é que se dava conta. Ele vivia mandando porco assado para os conhecidos com quem fazia negócios. Era corretor de imóveis. Ele adorava fazer pizza em todo aniversário e reunir a família sempre que dava. Acho que ele estava mesmo certo. A melhor comida do mundo quem faz é a fome…
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