Naquelas tardes de primavera, conversávamos.
Os raios de sol atravessavam as folhas das árvores frondosas,
na porta da sua casa, no bairro do Brooklin.
Palavras amigas para confidências juvenis.
Crianças ao redor brincavam, pulavam, se integravam.
Era muito divertido, até um simples bolo era festa.
Contos dos encontros, do baile, dos acertos para o casamento.
Lembranças da sua cidade tranquila
e a vontade de retornar para lá um dia.
No final daquelas tardes, carregávamos esperança.
Era lindo ver a sua filha aconchegando-se no seu colo
com cabelos dourados cacheados.
Dos desacertos, o seu sorriso permanecia.
Um dia, mostrou-me foto marcante, que pontuava um final;
ficara perdida!
Mas a imagem do Sol insistia, invadia a sua sala.
Cercada de incertezas e mudanças,
voltada apenas para o mundo do trabalho.
O tempo passou muito rápido.
A vida é cheia de movimentos;
leva, traz pessoas e bens.
Agora, no reencontro,
vejo que conseguiu o que queria.
Quanto a mim, ainda tenho um tempo,
quem sabe, coisas do vento!