O sol radiante na manhã de um sábado, atravessava eu o Viaduto Santa Ifigênia apreciando a arte de vender dos camelôs. Mágicos! Artistas! Conseguiam que os meus olhos e ouvidos transformassem simples objetos em maravilhas tecnológicas. É o caso da Antena K 1000. Frente ao Mosteiro de São Bento estava ele, o camelô, explicando o funcionamento da mirabolante antena K 1000. Sem ela, os chuviscos na tela de uma TV. Com ela, a nitidez de imagem. Não foi só a qualidade da antena K 1000 que me fez comprá-la! Também as palavras que explicavam todo o funcionamento da antena K 1000, principalmente o seu interior composto de uma placa que ampliava, e muito, o sinal. E os gestos? Amplos do vendedor que pareciam abrir o mundo. Não contarei também o empurrãozinho, estimulante, do primeiro comprador que elogiando o produto comprou duas. Garanti a minha em bom preço.
Feliz com a vantagem continuei o caminhar. Em outra banca um relógio que registrava a pulsação. Como pratico corrida tenho um relógio, mas com transmissor peitoral. O da banca, não. Desconfiado me retirei. A seguir uma abordagem. Um transeunte sugeriu a mim, com certa insistência, que eu desse uma oferta bem abaixo do preço pedido pelo relógio. Fui caipira. Desvencilhei-me. Mal esperava a hora de chegar em casa e usar a K 1000.
Quem espera sempre alcança, ou como dizem outros, sempre cansa. Mas, em casa e com avidez instalei o produto. Chuviscos. Estiquei toda antena. Chuviscos. Mudei a posição. Chuviscos. Revi os cabos. Chuviscos. Abri o aparelho e dois vazios; o da placa ausente e o da minha alegria destruída. Contei o episódio para o meu amigo Onofre. Paulistano de quatro costados. Riu para valer. Como artesão, no aniversário meu ganhei dele uma antena. Satírica. A conservo junto ao meu infante do CPOR-SP e de outras recordações palmeirenses.
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