Dia 8 de Setembro, a Penha comemorou 431 anos de existência. Trago muitas lembranças dos 32 anos que vivi no bairro (1945-1977).
Tudo começou por volta de 1925 quando meu avô materno (Antonio de Angelis), imigrante italiano, deixou Sertãozinho, interior de São Paulo, onde trabalhava nas lavouras de café e veio para a Penha, junto com minha avó (Maria Piacenza e seus filhos), tentar uma vida melhor na capital.
Naquela época, não havia nenhuma infra-estrutura no bairro, que era dividido em chácaras, que eram divididas em lotes menores. Mas já existiam as duas igrejas, a do Rosário e a igreja Matriz, que fica bem no alto do morro, de frente para a cidade, na chamada Chácara dos Padres. Ali, junto ao convento, ficavam as casas mais bonitas do bairro.
Com o tempo, o bairro foi crescendo e oferecendo, a todos os moradores, condições melhores de vida, com a chegada da água encanada, da luz elétrica e, por último, do calçamento das ruas mais distantes do chamado Centro da Penha.
Tínhamos boas escolas como: o Colégio Estadual Santos Dumont, o Externato São Vicente de Paula, o Ateneu Rui Barbosa e o mais famoso, o Estadual da Penha, que depois foi elevado a Instituto de Educação, pela qualidade do seu ensino e do corpo docente.
No comércio, tínhamos varias lojas de nome, como a Garbo, Exposição, Pernambucanas, etc., e outras menores, cujos proprietários eram turcos e árabes, que geravam empregos certos para a maioria dos moradores. Mesmo assim, alguns procuravam ocupação nas fábricas do Brás ou lojas do centro da cidade.
Não posso esquecer da Fundição Foz, onde meu irmão Cláudio trabalhou por muito tempo, junto com muitos rapazes daquela época. A Foz era uma metalúrgica muito grande, onde hoje é o shopping Penha.
Para nossa diversão, tínhamos quatro cinemas: Júpiter, o mais clássico; Penha-Príncipe, o mais antigo, com sua bela arquitetura interna; São Geraldo, o pulguento; e o Penha-Palace, o maior do bairro e mais popular, pois ali eram realizados os bailes de carnaval, juntamente com o Clube Esportivo da Penha, que ficava às margens do Tietê, onde meus irmãos aprenderam a nadar.
Por volta de 1955, foi inaugurada a Fonte Luminosa no Largo da Penha. Era ali que marcávamos os encontros de sábado à noite com os namorados. Depois, sentados ao redor, trocávamos beijinhos apaixonados, que eram iluminados pelas luzes da linda fonte. Havia também as quermesses do Largo do Rosário, onde também paquerávamos, ou melhor, "tirávamos linha" com a garotada.
Todo ano, no dia 8 de Setembro, comemorávamos em grande estilo o aniversário do bairro. A mais esperada era a procissão de Nossa Senhora com o seu andor, que era composto por crianças da comunidade. Todas vestidas de anjo, que rodeavam e enfeitavam a imagem da Nossa Senhora da Penha. Minha irmã Lourdes, com seu lindo cabelo cacheado, esteve presente lá no andor, em várias oportunidades.
Gostaria de registrar a importância do Hospital da Penha, onde minhas filhas nasceram. Homenagear ao Dr. Pires, o médico mais antigo, Dr. Mello, o médico da nova geração, aos amigos de infância e aos meus parentes que ainda residem no bairro, de quem tenho muitas saudades. São eles: Emmanuel e Rosa, meus cunhados, Miltom, Marcos e Ritinha, meus sobrinhos.
Hoje, a Penha está diferente. Não tem mais os cinemas, nem as quermesses com roda gigante. Retiraram até sua Fonte Luminosa, mas, mesmo assim, continua presente e iluminada no meu coração.
Parabéns Penha. Eu sempre vou te amar.
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