Alto da Boa Vista – eterno amor

Confesso que nunca fui muito interessada por internet, mas quando soube desse site me apressei em aprender algumas coisinhas para poder falar um pouco da minha infância muito feliz vivida em São Paulo, mais precisamente em Santo Amaro no Alto da Boa Vista, onde meus pais foram morar em 1949, vindos de Mogi-Guaçú (interior de São Paulo), a convite de um tio meu. Eu tinha então dois anos.

Não me lembro o nome da rua, só sei que era de terra batida e começava ou terminava em uma estação de tratamento de água e minha casa era num declive. Um dia, não sei o que aconteceu nessa estação que desceu muita água alagando quase tudo, mas para nós crianças aquilo era uma festa!

No alto da rua tinha uma granja de galinhas e o proprietário era o Senhor Arnaldo, ali meu pai Antonio trabalhava e nas horas de folga, e fazia pequenos reparos nas casas lindas que começavam a surgir naquele bairro; limpava jardins, trocava torneiras, etc.

Minha mãe Antonieta era costureira e trabalhava em uma confecção de uma família alemã onde tinha uma colega chamada Zuma. Como a gente era feliz naquele bairro!

Voltando à granja… Existia ali uma árvore que dava uma frutinha chamada Uvaia que chamávamos de Orvaia (uma mistura de orvalho com uvaia).

Em época de Páscoa então, felicidade total! Os ovinhos de chocolate eram colocados na frente das nossas casas durante a noite para que no domingo de Páscoa a gente os encontrasse.

Quando completei meus sete anos, fui para a escola Escola Mista da Parada Floriano, e minha professora era a dona Abigail Cézar, de quem nunca esqueci. Fiz o primeiro ano lá e quase todo o segundo ano. Querida Dona Abigail! Até o endereço dela eu me lembro, pois quando nos mudamos aqui para a região de Campinas eu ainda escrevia para ela com a ajuda de minha mãe. Depois de algum tempo nunca mais tive notícias. Por onde andará querida professora?

O 4º Centenário de São Paulo não me sai da mente, quantos fogos! Incrível! Maravilhoso! Eu não estava lá no local, mas da minha casa dava pra ver, meu Deus, quantas lembranças que jamais serão esquecidas, felizmente!

E meus amigos de infância, por onde andam? A Wanda, o Reinaldo, e outros mais… Como nós conseguimos guardar tantas lembranças do nosso tempo de criança, não é? Me lembro até da primeira compra que fiz em um armazém pertinho de casa, era um Chicletes (aquele da caixinha amarela), tinha eu sete anos. Me lembro também de uma espécie de bolo que a gente chamava de bananinha e que eu sinto até hoje o cheiro e o gosto daquele doce.

Mas a gente cresce, não é? Hoje moro em Campinas, cidade que gosto demais, mas o Alto da Boa Vista será sempre meu eterno amor.

E-mail: [email protected]