Aclimação, Moema, Turma da Miruna… ato 1

Nasci no hospital Cruz Azul, no bairro da Aclimação, onde passei parte da infância.

Minha "nona" morava na Avenida Lins de Vasconcelos, lembro da adega do meu "nono" e os embutidos e queijos pendurados no teto da adega. Minha mãe me deixava na "nona" e tradicionalmente se reunia com as primas para tomar o "Chá do Mappin", enquanto isso eu passava a tarde assistindo "Perdidos no Espaço", "Viagem ao Fundo do Mar", "Terra de Gigantes", "Túnel do Tempo". Minha "nona" me trazia um Toddy batido e sanduíches de "bolacha Maria" com manteiga.

À tarde o realejo tocava, pedia dinheiro e corria para tirar a sorte. Em frente à casa da minha "nona" ficava o ponto final do ônibus elétrico, ao lado da Paróquia da Igreja Santa Margarida Maria. Certa vez, ao tentar contar quantos ônibus estavam estacionados, olhando para trás e andando, bati a cabeça no poste e desmaiei. Fazia este percurso sempre para ir comprar pão, na padaria em frente à pracinha da igreja, comprava seis pães e chegava com dois, a "nona" brigava e tinha que voltar!

Na casa da "nona" era comum ter quarenta pessoas no final de semana, grandes panelas de macarronada apareciam da cozinha (macarrão caseiro) e eram colocadas em uma mesa ao lado de tábuas de frios e queijo, algumas mesas de jogatina na sala, briga no "buraco" e gritaria no "truco", se houvesse jogo do "Palestra" os homens ficavam em frente à TV gritando, xingando, rindo e brincando com o "nono", que foi diretor do "Palestra".

Embora sempre frequentando o bairro onde minha "nona" morava, nos mudamos para um bairro o qual ninguém ouvia falar – Moema. Aqui eu passei a maior parte da minha vida. Moema era um bairro somente de casas, tinha bonde na Avenida Ibirapuera e onde fica o Shopping Ibirapuera foi uma região com uma floresta de eucaliptos, onde hoje é a Avenida dos Bandeirantes foi o antigo córrego da Traição, um riacho com no máximo dois metros de largura, no qual cai varias vezes; tirava a roupa e estendia na margem esperando secar, para não tomar bronca da mãe. Quando secava pegava a bicicleta e ia andar na pista do Aeroporto de Congonhas até aparecer um monte de guarda correndo atrás da gente, eles eram boa gente e já nos conheciam, viviam tirando um ou outro de cima dos postes de orientação de aeronaves, aqueles que ficam piscando em linha na aproximação de aviões.

Foi uma infância livre, diferente de hoje, as crianças e as pessoas podiam sair de casa. A quantidade de atividades e brincadeiras era tão grande e variada e completava-se com os bailinhos no final de semana, tinha um bando de loucos que fazia bailinho, cada vez na casa de um, era a "Borriquito's", cuba, rosto colado, Air Suply… Turma da Miruna, empoleirados no muro do butiquim, sempre os mesmos.

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