Em 30 de abril de 1854, era inaugurada, no Rio de Janeiro, a primeira estrada de ferro da América do Sul.
Com seus 37 quilômetros de extensão, a ferrovia recebeu, em homenagem ao Imperador, o nome de D. Pedro II. Mais tarde o nome passou para Estrada de Ferro Central do Brasil.
Aqui em São Paulo, os paulistanos viam com certo esplendor o progresso que esse novo meio de transporte proporcionava aos habitantes e ao comércio do Rio.
Não se fazendo de rogados, o povo paulistano organizou algumas reuniões com um grupo de investidores como: Marques de São Vicente, Visconde de Mauá, Marques de Monte Alegre, dentre outros, a fim de construírem, também, seu novo meio de transporte.
Com a participação majoritária de capital inglês, o grupo conseguiu, junto ao governo imperial, a concessão para, em 1856, formar uma empresa para a exploração da primeira estrada de ferro paulista, que teria seus trilhos estendidos desde a cidade de Santos até os bairros do Brás e da Luz. Esta nova via férrea recebeu o nome de São Paulo Railway Company, sendo inaugurada em 6 de setembro de 1865.
A estação do Brás, como a da Luz, nesta época não passava de dois cortiços, sendo que somente alguns anos depois receberam as devidas reformas que ostentam até hoje.
Somente mais tarde, com a união da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, é que foi estendida até Jundiaí e Campinas.
A viagem inaugural estava programada para chegar na estação da Luz, ao meio dia.
Mesmo não obedecendo ao horário, o povo que ali se reunia para ver o lançamento deste mais novo meio de transporte tolerou a demora, pois se tratava de uma viagem inaugural.
Os minutos iam passando e nem sinal do trem chegar. Na composição, viajavam personalidades da política paulistana, tal como o presidente da Província, conselheiro João da Silva Carrão e seu secretariado.
O tempo foi passando e a demora começou a preocupar os diretores da nova empresa férrea quando alguém avistou um rapaz que, ofegante, chega à plataforma avisando, quase aos gritos, que o trem havia descarrilado próximo ao bairro do Pari, pois o mesmo se achava em alta velocidade, por volta de 30 quilômetros por hora, e que no local havia um grande número de feridos.
O fato foi notícia a semana toda, por se tratar do primeiro acidente de trem em terras paulistas (claro, antes desse acidente nem trem existia).
Em 1860, o Brás começou a assistir ao drama das desapropriações. Com o progresso, chegavam também os problemas.
Sérios acidentes aconteciam na passagem de nível dos trens da S.P.R.C, que cortavam a avenida Rangel Pestana.
Em 3 de abril de 1865, foi construída, entre as ruas Domingos Paiva e à Coronel Francisco Amaro, a tão malfadada Porteira do Brás, que só veio a criar maiores transtornos aos pedestres e o trânsito local.
e-mail do autor: [email protected]