Acampamento em Caraguatatuba

Alguns amigos da minha rua tinham um conjunto musical no estilo “Jet Black”, mas nem me lembro o nome de tal banda. Só tocavam, não cantavam. Eram esforçados, porém, não faziam meu gênero musical favorito.<br><br>Eu gostava muito de acampar, no estilo camping selvagem. Longe do burburinho, na paz e tranquilidade.<br><br>Meus amigos tocavam num boliche que existia na Avenida Santo Amaro, até que receberam um convite para tocar no carnaval no Tebar Club, em São Sebastião, no ano de 1967.<br><br> Dividimos a turma em dois. Pretendíamos chegar na sexta-feira, um dia antes do show. Alguns foram de ônibus e eu fui de carona com a outra parte.<br> <br> Na época eu tinha uma barraca estilo “guarda chuva sem piso”: era só armar o guarda chuva de ferro, jogar a lona por cima e, pronto, estava montada a barraca. <br><br> Os que foram de ônibus, chegaram cedo e foram se arrumando de alguma forma em algum lugar. A turma que foi de carona, em número de quatro, demorou um pouco mais. Assim, chegamos ao local quando era cerca de meia-noite.<br><br> Não tínhamos idéia onde estava a outra parte da turma que fora de ônibus. Não dava para se aventurar, ir pra longe, pois era preciso encontrar a outra turma. Só realizávamos as aventuras com todos juntos.<br><br> Ao encontrarmos a outra turma, resolvemos que iríamos acampar na praia em frente à cidade de São Sebastião, que, no caso, era a praia de Caraguatatuba. Sabíamos que era proibido acampar ali, mas queríamos descansar.<br><br> E nossa intenção era levantar todos do acampamento logo cedo, ao raiar do dia, e partir. Armamos a barraca rapidamente no local proibido e fomos arrumar algum lugar para comer.<br><br>Quando o dia nasceu, levantamos e fomos até uma padaria para matar a fome. Mas meu amigo apelidado de Miudinho não quis levantar, então, o deixamos lá na barraca mesmo em seu sono profundo. Tomamos café e voltamos.<br><br>Ao voltar, percebemos uma multidão em volta de nossa barraca. Várias pessoas cochichando entre si. Perguntei o que estava acontecendo, até que uma delas disse-me que todos se reuniram ao redor de nosso acampamento, porque estavam surpresos com o barulhento ronco de Miudinho. Caímos na risada e tentamos acordá-lo, mas não houve jeito: Miudinho dormia como uma pedra.<br><br>Nisso, alguém gritou que os fiscais da praia estavam próximos. Se eles nos pegassem com a barraca armada em local proibido, levaríamos multa ou até poderíamos ser presos.<br><br>Chacoalhei Miudinho com força para que acordasse. Esse levantou, ainda com sono, e, assim, desmontamos a barraca, pegamos as mochilas e saímos correndo. Conseguimos nos safar dos ficais.<br><br>Achamos um lugar seguro para esconder tudo e voltamos à praia, como quem não quer nada…<br><br>Ao nos aproximarmos, percebemos que, novamente, havia uma aglomeração de gente na praia. Fomos chegando cada vez mais perto da multidão, para compreender o que estava causando tanto tumulto.<br><br>As pessoas riam e faziam chacota. O motivo? Miudinho, que acabara de acordar no meio da praia… Ao invés de correr conosco após desmontarmos a barraca para não sermos pegos pelos policiais, ele ficara dormindo. Vestindo apenas cueca, Miudinho, embravecido, gritava comigo e com meus companheiros, pois, na correria para desarmar a barraca, acabamos por levar sua mochila por engano.<br><br>Meia-hora após a confusão, furioso, Miudinho tomou um ônibus de volta a São Paulo. Assim, o conjunto não teve a oportunidade de tocar em São Sebastião sem um de seus membros…<br><br>O jeito foi arrumarmos uma carona para casa e, no domingo, já estávamos todos juntos em São Paulo, rindo de nossa história de acampamento. <br><br>E-mail: [email protected]