A visita da Santinha

Por volta de 1957/58 a nossa paróquia, Nossa Senhora da Saúde, organizava uma visita de Nossa Senhora Aparecida nas casas do bairro Vila Mariana. Era uma festa, pois o andor com a santinha ficava uma semana em cada casa da região.<br><br>No dia em que ela chegava a uma determinada casa os anfitriões serviam, depois da reza, bolos, refrigerantes e salgadinhos. A casa ficava lotada. E toda noite, se não me engano, durante uma semana havia reza e depois aquele bate papo gostoso entre todos os vizinhos.<br><br>O dono da casa mandava confeccionar santinhos com a data e o nome da família. E no último dia da presença da santinha havia uma festa maior e todos os vizinhos colaboravam. Daí ela partia para outra casa.<br><br>A santinha ficava na sala da casa e eu, como era criança, tinha o maior medo de sair do meu quarto à noite, pois ela ficava com flores e velas ao seu redor. A noite pedia para minha mãe me acompanhar até a cozinha ou ao banheiro e ela com toda calma me dizia: Não tenhas medo, ela é uma Santa e está guardando o nosso lar.<br><br>Mas isso não me convencia muito, afinal, para uma criança ela era uma estátua fria e muda e só. Não havia violência nessa época e nas casas entravam quem queria, sem precisar ficar tudo trancado. Tudo era tranqüilo e acolhedor.<br><br>Certa vez, na minha casa, no último dia da visita da santinha foram tantas pessoas para a reza que o assoalho de casa ruiu. Foi uma "tragédia". Meus pais tiveram um trabalhão para consertar todo aquele "estrago". Como havia muitos vizinhos, homens bons, que os ajudaram nessa tarefa, não demorou muito e tudo voltou a sua normalidade. <br> <br>Meu bairro tinha essas curiosidades e hoje, olhando para trás vejo o quanto éramos felizes com tanta simplicidade e amizade.<br><br><br>E-mail do autor: [email protected]