A Vila Madalena quando era subúrbio

Sou nutricionista e Meus pais vieram para a Vila em 1935, quando aqui estavam vendendo os primeiros lotes, não havia nada, só muitos campos e raras casas. O bonde ia até o Araçá, para Pinheiros havia apenas o bonde de carregar areia do rio Pinheiros. Depois veio o de passageiros e um retorno na Fradique Coutinho.

As pessoas eram conhecidas pelas profissões: Dona Maria alemã, minha mãe, Sr. Manoel encanador, Sr. José sapateiro e assim por diante. Nasci aqui na Vila, aqui estudei de início na escolinha da Dona Joaninha, não havia prezinho, nem primeiro ano no Grupo Escolar da Vila Madalena, onde fui a partir do segundo ano.

Brincávamos na rua, não havia muros ou grandes portões, era tudo muito aberto e saudável. Cinema era das lojas Cotrim ao ar livre, num terreno baldio ou em Pinheiros, no cine Pinheiros (conhecido “pulgueiro”) e no cine Brasil. Estudei depois no Fernão Dias Pais, e depois na Faculdade de Saúde Pública. Trabalhei a vida toda na região mesmo.

Após o bonde as mudanças vieram rápidas. Tivemos um êxodo dos primeiros moradores, depois a chegada dos ônibus, o asfalto, a iluminação das ruas que antes era só nas casas e em duas ou três vias principais. Vieram na década de 70 os hipongas, com suas roupas extravagantes, na deles. Infelizmente na década de 80 foram autorizados os primeiros bares, muitos de baixo nível, assustando muitos moradores, que fizeram parte de grande êxodo, de novo, dai ao que é hoje foi muito rápido.

Sinto uma nova mudança com a demolição das casas antigas e construção dos prédios, caríssimos, aliás. Enfim é o progresso e isso é muito bom. Minha mãe está com 98 anos e ainda mora no mesmo endereço. Acho que é a mais antiga das fundadoras da Vila hoje. Adoro a Vila, ela é minha casa.

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