A velhice é feia

Certo dia, descendo de carro a Rua da Consolação em direção cidade-bairro, parei no semáforo na esquina da Rua Oscar Freire, para passagem dos pedestres, quando para minha surpresa atravessou um senhor de bengala, cabelos brancos, eu o reconheci: era o meu amigo de infância, o Cabeção. Desci do carro e fui falar com ele.

Contou-me que já era avô e tinha se desquitado há anos, o casamento não deu certo. Até aí tudo normal, mas o que mais me assustou foi a sua aparência de pessoa idosa. O tempo passa, a gente não percebe a idade chegando. Mais tarde ele faleceu do coração.

Todos nós envelhecemos, mas tem alguns que aparentam muito mais idade, não sei se a vida que eles levaram os prejudicou.

Eu conversando com a minha esposa, ela disse uma verdade: o amigo é o nosso espelho. Quando o encontramos é que nós vemos a nossa idade.

Eu sou muito saudosista, fico sempre vendo as fotos dos meus familiares que já faleceram. Não tenho medo de morrer, mas eu acho que a vida é muito curta, por mais que nós vivemos.

No velório do meu irmão, um amigo falou: “mais um que partiu, quem será o próximo?”. É verdade, quem será o próximo?

Pensando bem, a vida e um relógio, ou de ouro, ou de prata, ou descartável. Nós crescemos, estudamos, trabalhamos, casamos. Para quê? Para mostrar para a sociedade que nós fizemos a coisa certa. Será que foi certa?

Eu estou contando esta história porque eu fiquei muito impressionado com a aparência do meu amigo Cabeção (devia estar doente).

A velhice devia ser como um marcador de gasolina, o ponteiro vai abaixando conforme a gasolina vai acabando. Seria assustador? Não sei, mas estaríamos mais preparados para e velhice.

Enfim, a vida é assim, só Deus é que pode mudar. É bonito envelhecer, mas a velhice é feia.

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