Rua da Consolação – Pesquisa
(começa na Rua Bráulio Gomes e termina na Rua Estados Unidos) –
A história da Rua da Consolação remonta-se ao século XVI quando foi aberto o antigo "Caminho de Pinheiros", que levava à aldeia do mesmo nome, hoje Bairro de Pinheiros.
Essa antiga estrada começava no final da rua Direita, passava pelo Anhangabaú e tomava rumo de Pinheiros, até encontrar a estrada de Sorocaba. Era uma das estradas mais transitadas tendo sido um dos caminhos do sertão. Por ela chegava o gado muar e cavalar negociado na grande feira de Sorocaba. Carros de boi traziam hortaliças da aldeia de Pinheiros até o largo do Piques, onde existiam diversas casas de negócios atacadistas, concentrando-se ali as tropas de mulas chegadas de todos os pontos da Província. Foi uma estrada cheia de recordações históricas, o caminho dos conquistadores do sertão, dos colonizadores dos pampas do Sul.
Conhecido também como "Caminho do Aniceto" e "Rua dos Taques", a antiga estrada transformou-se na hoje conhecida Rua da Consolação. A sua denominação deve-se à construção em 1800 da antiga Igreja de Nossa Senhora da Consolação. Apesar da existência da igreja, em 1855 o atual bairro da Consolação ainda era ermo, afastado da cidade e com pouquíssimos moradores.
Nesse caminho, ficava o sítio do Capão, pertencente a Fernão Dias Paes desde 1584.
Ao redor desse caminho, situavam-se as muitas chácaras de tradicionais famílias, que até o final do século XVIII era o jeito de morar da burguesia paulistana enriquecida pelo desenvolvimento da cafeicultura. No século XIX a Consolação avançava entre chácaras e terrenos abertos, reiúnos ou realengos no dizer do tempo (sem dono, público). A essa altura, à esquerda de quem sobe, ficava a chácara de Marinho Prado, pai de Eduardo Prado.
A chácara e o sobrado de D.Veridiana Prado
Ao lado da primitiva Capela de Nossa Senhora da Consolação, situava-se uma chácara cuja sede era um sobrado de taipa do século XVIII, adquirida em 1848 pelo casal Martinho e Veridiana da Silva Prado, quando vindos do Engenho Campo Alto, atual Município de Araras. Nesse sobrado nasceram os últimos filhos do casal e nela aconteciam festas, bailes (o primeiro em 1861). O sobrado era rasgado de janelas numerosas a que dá ingresso o largo portão de ferro abrindo para um páteo lajeado de granito.
Em 1874 D. Veridiana separou-se do marido, e ficou morando na parte inferior do sobrado e ele na parte superior. Martinho Prado saiu definitivamente da casa quatro anos depois e faleceu em 1891. Veridiana Prado é o exemplo da mulher controversa para a época. Além da coragem da separação foi ela que assumiu sozinha a educação dos filhos, sendo a Matriarca da família.
Ao herdar a chácara da Consolação D. Veridiana a cedeu para as Irmãs da Ordem de São José afim de que nele funcionasse o Seminário das Educandas. Seria o número 56 (ou 35) da rua da Consolação. O sobrado foi demolido em 1940.
Veridiana Prado passou então a construir o seu famoso palacete em 1884, que se chamou Vila Maria.
A Igreja da Consolação –
À margem da estrada para a aldeia de Pinheiros, foi encontrada, em meados do século XVIII, uma imagem de Nossa Senhora da Consolação, responsável pela conversão de Santo Agostinho. Devotos ergueram em homenagem a ela uma igreja de taipa, um pequeno santuário, inaugurado em 1799. O caminho, logo passou a ser conhecido como Rua da Consolação, e foi também foi rota religiosa, pois se costumava transladar a imagem de Nossa Senhora do Monte Serrate da Capela de Pinheiros para a da Consolação.
Em 1855 foi criada a Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e São João Batista com duas finalidades principais: cuidar da Igreja e dos leprosos. Nesse mesmo ano a Irmandade acolheu também vários doentes atacados pela epidemia de cólera.
A primeira igreja de Nossa Senhora da Consolação foi reformada em 1840 e subordinada á Igreja de Santa Ifigênia. Neste ano, um cronista assim a descreveu: "cinco janelas, duas torres, uma porta principal e duas laterais, situando-se numa pequena elevação e desviada da rua".
Em 1870 os limites de sua freguesia eram o Anhangabaú, a futura Av. São João e o rio Tietê. A Igreja da Consolação foi elevada a paróquia e a ela se subordinavam as igrejas de Santa Cruz das Perdizes (até 1879) e de Santa Cecília (até 1892)
No início do século XX surgiu a idéia de construir nova igreja. Em 1907 foi dada a permissão de demolir essa primeira igreja a fim de erguer uma nova, ao lado dessa antiga. Com a vinda de novos moradores e a criação de novas ruas, o templo antigo já não suportava tantas pessoas.
O terreno pertencia à Dona Veridiana Prado e foi comprado por 40 contos de réis. Tinha 35 metros de frente por 32 metros de fundo. Os lados de 50m. Lançada a pedra fundamental (1909 – 1910) a nova igreja teve projeto do arquiteto Maximiliano Hell (o mesmo da Catedral) e professor de arquitetura da Escola Politécnica, Em estilo românico-bisantino ficou pronta definitivamente em 1959. Tem uma torre altíssima – 75m – Tem estilo gótico na fachada com amplos vitrais e grande cúpula decorada pelo artista alemão Hans Bauer. O interior segue características românicas e o altar mor foi trazido de Paris e é feito em mármore e bronze.
O Velódromo da Consolação
No final do século XIX, o ciclismo, esporte inicialmente europeu, empolgou a juventude paulistana, mas era elitista porque as bicicletas eram todas importadas e caras. Antonio Prado Jr, filho do Conselheiro Antonio Prado e neto de D. Veridiana Prado era um aficionado do esporte e conseguiu que o pai construísse um velódromo num terreno cedido pela avó. Situava-se nas proximidades da Rua da Consolação, entre as ruas Florisbela, Martinho Prado e Olinda, exatamente no local onde hoje está a rua Nestor Pestana. Giuseppi Valori teria executado a obra por volta de 1892, de acordo com o projeto de Tommazzo Bezzi, concebido em 1886. Tratava-se de uma raia de forma elíptica, medindo 380metros de comprimento, por oito de largura e com um jardim ao centro., Dois conjuntos de arquibancadas cobertas, uma em frente da outra, foram construídos ao redor da raia, com capacidade de até 1000 pessoas cada um.
Além da raia ciclística possuía também uma quadra de tênis e tanques para banhos. Enfim, uma verdadeira praça de esportes. Ficou conhecido como Velódromo Paulistano.
Arrendado pelo Clube Atlético Paulistano, o Velódromo teve seu jardim transformado em gramado e aí aconteceram muitas partidas futebolísticas.
Em 1915 o Velódromo foi desapropriado para a abertura da rua Nestor Pestana. (antiga rua Florisbela)
Abastecimento de água na cidade – Reservatório de água da Consolação
São Paulo quando vila e depois cidade, foi sempre privilegiada em termos hídricos. Tinha à sua disposição as águas do Anhangabaú e, especialmente as do Tamanduateí. Na verdade, mais do que ter água, São Paulo localizava-se no centro natural do sistema hidrográfico da região.
Água em quantidade, sem dúvida, mas ela não corria diretamente para as casas dos habitantes da vila. Nos primeiros tempos de São Paulo, os moradores se utilizavam de fontes naturais que brotavam nos declives dos morros e da margem esquerda do Anhangabaú. Ou iam busca-las nos ribeirões ou poços construídos no quintal das casas.
O primeiro chafariz para abastecimento público de São Paulo foi construído pelos padres franciscanos que em 1744 forneciam à população as águas que lhes sobravam, chafariz esse entregue á utilização pública em 1828.