Querido Papai Noel, acredito que deves estar surpreso com essa cartinha que lhe escrevo hoje dia 26 de Dezembro. Bom, eu gostaria muito de esclarecer algumas coisas que ocorreram no começo deste mês de dezembro, quando cheio de sonhos e ilusões, eu lhe escrevi minha cartinha… Eu lhe pedia uma bicicleta, um trenzinho elétrico, um par de patins, e um uniforme do meu querido Timão com a camisa 9 do Guerreiro. Eu juro por Deus que eu quase destruí meu cérebro, estudando o ano inteiro.
Eu não só fui o primeiro em minha classe, como foi o que tirou as melhores notas de toda a minha escola. Eu não vou lhe mentir, ninguém em toda a vizinhança do meu bairro, o Tatuapé, se portou melhor que eu. Fui sempre amável com meus progenitores, meus irmãos, meus amigos, e todos meus vizinhos. Eu cheguei a ser menino de recados para ajudar o próximo, e cheguei a ajudar idosos atravessar as ruas e avenidas. Sinceramente não houve nada ao meu alcance que eu não fiz pelo meu próximo.
Que coragem você teve… Seu gorducho vestido de vermelho! De me deixar um apito estropiado de juiz de futebol, um par de meias horríveis, que eu teria vergonha de sair na rua com elas nos meus pés, e um ioiô verde e branco que mesmo que eu quisesse não poderia entrar no Parque São Jorge com ele sem o perigo de ser linchado.
Eu não imagino o que você estava pensando quando fez isso comigo, seu gorducho que só anda de charrete, e me fez passar de idiota o ano inteiro estudando como um burro e depois deixar essas coisas inúteis embaixo da minha árvore de Natal.
E como se isso não fosse o bastante, você deu tantos presentes para o filho do meu vizinho do andar de baixo que só anda com seu tablete para cima e para baixo e nunca o vejo estudando, foram tantos que eles nem podia se locomover no seu quarto.
Espero no ano que vem, poder me vingar de você, e quando você estacionar a sua charrete na porta do meu prédio na madrugada do dia 24, estarei esperando do lado de fora e vou espantar as renas para que elas voltem sem você e assim você terá que caminhar até o Pólo Norte. Como eu que terei agora de andar até a escola, pois não ganhei minha bicicleta como esperava.
Sinceramente e muito magoado, Joãozinho.