Na última história já falei do meu primeiro namorado; o que a gente fazia naquela época, quais os programas disponíveis para quem não tinha carro e pouco dinheiro. Então vamos falar sobre como foi a conquista! “Tchan tchan tchan tchan…”
Foi na semana de nove de abril de 1974. Eu estava saindo da aula por volta de 19h50 – na quarta série do ginásio, com 15 para 16 anos. Saía com uma amiga que tomava o mesmo ônibus que eu. A saída e a entrada do vespertino eram feitas pelo mesmo portão. Naquele entra e sai de gente, eu já estava colocando o pé na calçada, quando um "tornado" passou por mim e quase me derrubou se não fosse minha colega me segurar para não tropeçar no degrau e me estatelar na calçada. Olhei para trás e o moço estava olhando para mim. Assim que vi o rosto do "tornado", gostei do que vi e acho que ele também. Acredito que ele pensou que o sinal que ele ouvira era para a aula dele, pois ele estudava à noite. Deixei para lá o ocorrido e fui para casa.
No dia seguinte, estou fazendo o mesmo trajeto no pátio e, já logo perto da saída ficava a cantina. Quem estava lá, esperando meu "desfile"? O "tornado"! Ele olhava para mim, eu desviava o olhar; quando eu olhava para ele, ele desviava o olhar.
Saí do colégio, fui até a esquina com minha colega, atravessei no semáforo e, quando olho para o pátio, lá está ele, seguindo meus passos com o olhar.
No dia seguinte segui o ritual e, depois que atravessei a rua, minha colega insistia:
– "Dá um tchauzinho para ele".
Pensei: “já que estou longe dele, não faz mal algum…”. E dei o "tchauzinho".
Já estávamos na sexta feira e então pensei: "será que este cara não vai chegar junto?". O que fiz eu? Ao invés de atravessar no semáforo de sempre, segui adiante pelo muro da escola, bem colada à ele e só atravessei no semáforo seguinte. Eu pegava o ônibus no Mercado Municipal da Penha. Quando já estava a alguns metros de distância, olhei para trás e vi o rapaz desesperado, pois eu simplesmente havia "sumido" de seus olhos!
Ele olhava para dentro da escola acreditando que eu tivesse voltado; olhava para fora novamente para ver se eu, literalmente, estava naquela esquina. Eu, maldosamente, ria que não me aguentava mais. Daí veio o final da semana.
Na segunda feira, dia 15, estou saindo da aula com minha amiga ao meu lado e, de repente, o rapaz está no meio do caminho, andando de cá para lá, arranjando um jeito de iniciar a conversa. Minha amiga, ciente da situação, saiu desembestada, me largou sozinha e simplesmente me disse:
– "Amanhã você me conta”.
O rapaz, é claro, percebeu tudo! Enquanto eu caminhava, pensava comigo: "é hoje". Fui andando vagarosamente e, em um determinado lugar do pátio ele começou a me acompanhar e fez aquela pergunta "básica" de todo aluno:
– "Você teve prova hoje?"
– “Sim, de inglês” – ele questiona novamente:
– “Você foi bem? Gosta de inglês?".
– “Sim”.
Depois dessa "introdução" vieram as perguntas "normais": “Qual é o seu nome? Quantos anos você tem? Onde você mora?…”.
Acompanhou – me até a esquina (a primeira), ficou segurando minha mão! Eu parecia uma gelatina… Tremia toda! Tocou o sinal da aula dele. Quando eu pensei em dizer "tchau, até amanhã", não vi mais nada! Acabara de receber meu primeiro beijo do tipo "desentupidor de pia".
Saí daquele "enlace" como se tivesse bebido além da conta! Segui até o ponto de ônibus e minha amiga ainda estava lá… O ônibus ainda não havia passado. Acho que se ela não estivesse lá, naquele dia eu ia tomar o ônibus errado!
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