A Pompéia onde nasci

Nasci na Vila Pompéia, numa rua minúscula em frente ao Miss Browne, a duas quadras do Palestra Itália, como era conhecido antigamente. Bem antes do nascimento do Shopping West Plaza e do Bourbon, quando a Rua Turiassu e a Avenida Pompéia ainda podiam ser atravessadas tranquilamente.

Estudei no Colégio das Nações, na Avenida Pompéia, entre 1968 e 1971 ou 1972, e jamais me esqueço da professora Marli, do primeiro ano, uma doce criatura! Agora me vieram à lembrança as amigas Ester Milone e Silvia, esqueci seu sobrenome, carinhosamente chamada de Silvinha. O colega Ricardo que tinha uma prótese em uma perna e o miúdo Eduardo…

Tínhamos aula de educação física aos sábados e eu não deixava de comer o delicioso pastel da feira na rua em frente à escola. Uma curiosidade, eu fazia ballet e judô! O perueiro era o Sr. Arnaldo, uma figura incrível, amável e paciente, ele nos impressionava trocando as marchas da perua com o pé.

Voltando ao assunto, meus ascendentes já faziam parte da história da Pompéia. Minha bisavó Palmira ficou conhecida pelo seu comércio "Bar da Bimba", fundado na década de 1930, na Rua Ministro Ferreira Alves. Meus avós Guilhermino e Semiramis deram continuidade ao bar e armazém, onde inúmeros moradores do bairro "bateram cartão" semanalmente por muitos e muitos anos…

Na década de 1950, ainda solteiro, meu pai Edison, era jogador do time de futebol chamado "Estrela", e assim como meus tios, exibem até hoje as fotos do time com muito orgulho. Eram todos muito unidos, e foram protagonistas de muitas histórias juntos.

Lembro-me das brincadeiras com meus primos, dos domingos à noite na varanda da casa de meus avós, olhando para o céu quase negro, repleto de estrelas, com o Cruzeiro do Sul perfeitamente visível… Das nossas idas ao Parque da Água Branca para fazer piquenique…

O Sesc Pompéia tem sido marcante e inesquecível no bairro mesmo porque ainda se faz presente com seu palco de shows, peças de teatro, e exposições. Espero que permaneça eternamente. Joguei muito voleibol nas quadras do terceiro e quarto andar, fui a muitas festas juninas e continuo indo todos os anos.

A Rua Padre Chico era duas mãos de ponta a ponta, não havia tantos semáforos, nem tantos edifícios que acabaram sufocando e substituindo a maioria das casinhas assobradadas do bairro. Atualmente, o sossego já não é mais o mesmo, fazer o quê? São frutos inevitáveis da "marcha do modernismo", do desenvolvimento, do progresso!

Que saudade da Vila Pompéia, do tempo dos Gordinis e das Romisetas, dos padeiros de bicicleta vendendo pães doces na cestinha. Das crianças correndo na rua e brincando de pique e soltando pipas. Saudade do tempo em que era Vila!

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