Lucro e periferia.
Criaram-se interesses nas comunidades periféricas da região sul, naquilo que se tem de mais atrativo, ou algum recurso natural, uma atração de valor monetário, criando mecanismos em afastar para o mais longe possível com as infraestruturas dos investimentos de expansão imobiliária em direção ao que ainda é periferia; em nome das empreiteiras ávidas do lucro ao entorno da cidade, do subtendido como região de periferia e de interesses financeiros adquirindo a “mercadoria terra” por módicos valores extraídos dos “planos diretores” aos quais se tem acesso os interesses dominantes.
O que dantes eram residências que formavam pequenas vilas, expandem-se por sistemas sofisticados de muros vigiados, oficializando o que era pobre em algo de lucro, e por este motivo espalham suas garras bárbaras sobre o que um dia foi um bairro do operariado paulistano, subúrbio, com uma sutileza sem precedentes do poder do estado atrelado ao poder financeiro coniventes de seus interesses comuns.
O centro urbano velho desloca-se em espaços novos suburbanos e cresce vertiginosamente sobre o marginal periférico em nome da pujança e do crescimento, aglutinando áreas consideradas nobres, mandando às “favas” o que atrapalha o visual da modernidade neste momento contemporâneo.
A violência, fruto do descaso, precisa ser distanciada cada vez mais dos centros urbanos, que cresce vertiginosamente sem controle, reforçada pela marginalidade criada pelo sistema espúrio de governar das oligarquias que empurra a miséria para longe do poder para fora das estruturas urbanas.
O estado vive da inércia e de paliativo visual reformando praças, jardins, parques para servirem de modelo ao plano diretor da cidade patrocinado por vultosas somas do erário público que terão subsídios de verbas “intocáveis” do setor privado que ganham deste modo os privilégios com direito a desapropriação de áreas, desarticulando relações sociais, daquilo que um dia foi periferia por longa data e que agora não podem conviver e interagir no espaço de interesse imobiliário das estruturas de nova ordem empreendedora de outra realidade urbana; que demoliram e demolirão as antigas residências de um passado não muito distante e afastando cada vez mais um sistema de castas, que não podem estar mais onde antes estiveram, pois não possuem capital suficiente para manter o padrão de vida neste modelo de exclusão, perdendo deste modo o mínimo de dignidade, para uma arquitetura “higienista” e de um centro “revitalizado” por um novo estado de coisas que substitui o modelo antigo da cidade de São Paulo.
Assim cresce São Paulo, de forma desordenada, com um plano diretor que segue o organograma das empreiteiras e desse modo expandem suas garras na história paulistana do que outrora foram vilas operárias, onde “sentar nas calçadas para jogar conversa fora” fazia parte do cotidiano de nossos antepassados e hoje vemos a destruição de antigas residências e “apoderamento” de tantos lugares como Brás, Mooca, Tatuapé, Penha, Lapa, Bixiga, e tantos outros mais. E agora Santo Amaro, onde os tentáculos imobiliários sem escrúpulos apoderam-se e destroem parte de um passado glorioso de um bairro que nascia em volta de uma Igreja, e hoje crescem aranha-céus em volta de um shopping, local para um “rolê” de consumo!