É usual dizer que o paulistano não tem locais de lazer a não ser ir ao shopping, não obrigatoriamente para comprar, mas sim para uns momentos de lazer. Dizem até as más línguas que o shopping é a praia do paulistano. Claro que isso é uma imensa bobagem, ou até, quem sabe, dito de despeito por quem não tem a ventura de conhecer nossa cidade. Pessoalmente, eu que nasci aqui há várias décadas, tenho cá com meus botões uma opinião diferente e, quem sabe, posso ter a concordância de algum leitor muito amigo. Tenho observado que um local que dá imenso prazer a qualquer pessoa, independente de sexo, idade, crença, é a padaria. Já notaram que cada vez elas estão mais amplas, mais sortidas, mais bonitas e mais atrativas?
Não é agradável entrar em uma delas e encontrar até pão? Sentir aquele odor divino de pão fresco? Se bem que hoje esse odor esteja mesclado com outros, como de fritura e aqueles provenientes da enorme quantidade de outros produtos. É bela a imagem de um funcionário trazendo aquele enorme cesto repleto de pãezinhos tipo francês e vertê-los de uma só vez no local destinado a armazená-los e situado logo atrás ou ao lado do dono, sempre na caixa a fim de receber os pagamentos devidos.
Ele mesmo ou um ou outro funcionário, com a ajuda de enorme pinça adequada, pegam um a um cada precioso pão e os colocam em um saco de papel e, depois, agilmente pegando-os pelas bordas, giram rapidamente junto ao corpo para fechá-lo. Nascem assim os sacos com orelhas. As imagens daqueles movimentos do despejo dos pães lembram como quê a multiplicação dos pães. Vale a pena, à guisa de passatempo, ganhar uns minutinhos para observar esse detalhes todos. Depois, satisfeita a curiosidade, dar um passeio pelo estabelecimento.
Aqui, vitrines com aqueles doces de dar água na boca, propositalmente enfeitados por hábeis confeiteiros; acolá imensas gôndolas com todo tipo de bolacha, estas não mais feitas na padaria, mas sim industrializadas. Ué, mas não estou em um supermercado, no entanto, posso comprar farinha de todos os tipos, macarrão e até às vezes cereais.
Quando criança minha mãe me mandava fazer compra na padaria e nem precisava perguntar, eu sabia que ia comprar pão. Afinal, o que mais na padaria? Talvez leite… refrigerantes. Hoje, é possível comprar não só o que foi dito acima, mas também carvão para churrasqueira, pilhas, cigarro e em algumas é possível recarregar o celular!
De qualquer modo, nesses estabelecimentos (palavra bem portuguesa) todos os que neles adentram, seja para tomar um refrigerante, uma cervejinha, ou quem sabe um chopp, com amigos ou com familiares, acabam, com o tempo, a sentir algo mágico, diferente do que sentem em um supermercado ou em um simples bar. Sente-se aí, principalmente quando está um tanto vazio (o que não é comum), algo como que certa sensação de leveza, de bem-estar, como se nos impelisse a nos darmos bem com o próximo, a respeitá-lo. Por isso, creio fielmente que todas as reuniões de dirigentes, como vereadores, deputados, senadores, etc. deveriam ser realizadas no interior de uma padaria.
Com certeza os resultados seriam sempre favoráveis ao “Zé Povinho” e nossos ilustres representantes não teriam coragem, por respeito ao ambiente, de nos enganar e de legislar sempre a favor deles mesmos e dos seus asseclas. Obviamente isso não passa de uma doce utopia, mas nada impede que nós pobres mortais continuemos a frequentar padarias, mesmo que seja apenas para comprar pão.
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