Meu amigo Alemão sempre dizia, sem qualquer vaidade, que nunca tivera qualquer problema financeiro. Na sua vida, dinheiro nunca foi algo que o deixou sem dormir, como acontece com muitas pessoas no mundo.
Eu, ao contrário, reconheço que meus pais tiveram uma enorme dificuldade para criar cinco filhos. Eu nasci em casa, um barraco para ser mais específico, na Vila Mangalot. Minha querida Vó Maria foi a parteira naquele dia 09 de Julho de 1964.
Mas as dificuldades não são algo marcante na minha infância. O barraco ficava num terreno maravilhoso, onde também morava a minha vó, o tio Nego e a tia Neném. Além disso, lá se encontravam todos os tipos de frutas: jaca, pitanga, jambo, amora, abacate, manga. Que terra fértil a do Mangalot!
A adolescência também foi marcada pela ausência de luxo e pela simplicidade. Lembro que eu e os meus quatro irmãos dormíamos num mesmo beliche. Eu e o meu irmão, que até os 13 anos fazia xixi na cama, ficávamos na parte de cima e as três irmãs dormiam embaixo.
Sabíamos dividir as coisas, desde a comida até a televisão e até as poucas peças de roupa. O tênis era o Conga, a calça USTOP. E como era gostoso o lanche de patê de sardinha com tubaína, nas poucas festas!
Comprar meio filão de pão e meio litro de leite, que era vendido na garrafa. Lembranças gostosas como o cheiro do café invadindo o quarto de manhã e acordar ouvindo conversas e gostosas risadas vindas da cozinha.
Meu pai, graças a Deus, ainda vivo, assim como minha mãe, era um cara meio sério, daqueles que bastava um olhar e ponto. Mas o tempo foi passando e hoje ele é um amigão. Volto então ao meu rico amigo Alemão, que um dia me falou de uma cena da sua infância…
Contou-me de seu pai doente na cama, com um pano no rosto que caiu por um momento, mostrando a triste imagem de uma face desfigurada. Ainda pequeno, perdeu o pai. Ao ouvir esta história, agradeci a Deus pela minha riqueza!
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