Em 1950, para iniciar o curso ginasial, era mandatório que os alunos estudassem o curso de admissão. Foi no Liceu Pasteur que fui matriculado para a realização deste que era quase um vestibular infantil.
Eu havia saído de uma escola, Escola São Francisco de Assis, onde a nossa intimidade com o corpo docente (professoras e diretora) era grande, paciente, dedicada e educada; era quase maternal. Agora iria me defrontar com pessoas estranhas que estariam ensinando-nos matérias novas e desconhecidas.
A primeira pessoa a conhecer foi a Dona Francisca, a nossa professora, moça super enérgica e amedrontadora devido a sua seriedade.
Nossos diretores eram o Dr. Pontes e o Sr. Pedro, homens talhados para o ensino e administração colegial.
Durante as nossas aulas da língua portuguesa, era praxe a leitura e posterior comentário sobre o assunto lido. Um destes assuntos lidos jamais me esqueci: o título era A Agulha e a Linha. Contava a história de um vestido que acabava de ser costurado, e a agulha era gozada pela linha devido a sua má sorte, pois ela, a linha, agora iria passear em festas, bailes e outras festividades, enquanto que ela, agulha, ficaria no atelier, jogada no fundo de uma gaveta e nem sequer lembrada pelo trabalho que havia realizado.
Foi quando um aluno perguntou à professora qual era a moral da história. A resposta da professora, então, foi para que nunca esquecêssemos dela: “Eu também tenho servido de agulha para muita linha ordinária.”.
Hoje, nós, que somos advogados, médicos, engenheiros, economistas, ou qualquer outra profissão de destaque, lembramos de quem nos ensinou a primeira letra?
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