Aproveitando a cronica do Sr. Rubens Rosa, que comenta sobre a praça, da qual em períodos de insanidade proclamo-me proprietário, a Praça da República, pois ali vivi minha juventude no inicio dos anos 60, trabalhei e estudei, na Conselheiro Crispiniano 52, décimo segundo andar. Acho que a escola está lá até hoje.
Na Praça da República conheci artistas insuperáveis, faziam e falavam de arte com propriedade. Na época muitos artistas exibiam trabalhos que no mercado de artes hoje teriam o valor de milhares de reais. Artistas que se foram e não deixaram pupilos. Por ali passaram deuses como Karol Kossak, russo, terno branco e uma bengala, dirigia o lançado "Karmann Ghia", pintou a feira de flores do Largo do Arouche com precisas pinceladas cosmonáuticas, tela nas dimensões de 40cm x 50cm, que supera muitos trabalhos impressos em telas de grande porte expostas oficialmente. Meu amado e ídolo Ezio Américo Monari, acho que o derradeiro de uma fase que esta geração não teve a oportunidade de conviver.
Ali vi grandes sinos dobrarem. Jamais vou esquecer a destreza da espátula de "Campos", a força dos tons de "Oehlmayer", a sutileza de "Evaristo dos Anjos" e a poesia de "Maghetas", assim como a força dos megatons de "Dario Mecatti".
A Praça da República era assim, tecida por deuses da verdadeira arte.
Foram anos de artísticos orgasmos epiléticos, que sei, não voltarão jamais.
e-mail do autor: [email protected]