O ano era 1960. Minha idade: 13 anos. Nessa época pude realizar meu grande sonho: “Comprar uma bicicleta” e pagar com meu salário de Office-Boy, atividade que desenvolvia na época.. E não era uma bicicleta qualquer, era uma Monark , aro 14, vermelha, zerada, cheirando tinta, comprada no Mappin em 12 suaves prestações mensais. <br><br>A primeira providencia para regularizar a minha condução foi licenciar a “bichinha”. Fui à Galeria Prestes Maia, onde havia um posto da Prefeitura especializado em licenciar "magrelas". Paguei uma taxa e recebi a placa e o documento de licenciamento. Aquilo era para mim como um documento de carro, era guardado com o maior cuidado possível. <br><br><br>O ano era 1960. Minha idade: 13 anos. Nessa época pude realizar meu grande sonho: “Comprar uma bicicleta” e pagar com meu salário de Office-Boy, atividade que desenvolvia na época.. E não era uma bicicleta qualquer, era uma Monark , aro 14, vermelha, zerada, cheirando tinta, comprada no Mappin em 12 suaves prestações mensais. <br><br>A primeira providencia para regularizar a minha condução foi licenciar a “bichinha”. Fui à Galeria Prestes Maia, onde havia um posto da Prefeitura especializado em licenciar "magrelas". Paguei uma taxa e recebi a placa e o documento de licenciamento. Aquilo era para mim como um documento de carro, era guardado com o maior cuidado possível. <br><br>Outra providencia foi comprar protetor de selim com escudo do Corinthians, enfeite do guidão, espelho retrovisor e campainha daquelas que fazia: “rhim, rhim, rhim”. A danada ficou impecável, parecia até uma BMW de duas rodas.<br><br> Eu trabalhava nos dias de semana até 18h e aos sábados até as 13h, então só me restavam os sábados a tarde e domingos para curtir a minha magrela. Eu não via a hora voltar para casa aos sábados; comia correndo, pegava minha condução e saia para o passeio com meus amigos ciclistas. <br><br>Aos domingos logo depois do café, passava uma flanela na jóia e logo estava na rua recebendo aquela brisa no rosto em cima da possante. Até que, em uma manhã de um domingo qualquer, eu e meus amigos estávamos passeando pelo bairro, quando na descida de uma rua chamada curva do "S" no Piqueri, eu em alta velocidade, bati a roda da bicicleta na guia. Ela deu um rodopio e me deixou caído na calçada com o antebraço quebrado e o rosto todo ralado por ter batido no muro. <br><br>Tive que voltar para casa empurrando a magrela, além das dores no rosto e o antebraço quebrado ao meio. Minha mãe me pegou, chamou um táxi e fomos para o pronto socorro do IAPC, na Avenida Nove de Julho, no centro da cidade.. Lá a atendente perguntou o que havia acontecido comigo, e eu respondi que tinha caído de um pé de goiaba e quebrado o braço. Com essa mentirinha estava protegendo meu patrimônio, pois minha mãe com certeza iria se desfazer dela se soubesse a verdadeira causa do estrago. <br><br>Assim logo o médico me chamou para eu ser atendido em sua sala de consultas <br>- "Sr. Milton, que caiu da goiabeira, pode entrar…" <br><br>Lá fui devidamente atendido e gessado. Minha bicicleta ficou imune a qualquer maldade da minha mãe, que me proibiu de subir em qualquer árvore daquele dia em diante. E eu, depois de 40 dias de braço gessado, pude desfrutar de minha querida magrelinha novamente, pelas ruas de Pirituba, Piqueri e etc.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br>