Fui morar na Vila Brasilândia ainda muito pequeno, devia ter uns dois anos de idade. Meu pai, Wilson Ruy Barletta, foi assumir a direção de uma escola que ficava na Rua Nair Ramos Schuring, nunca me esqueci desse nome, talvez por me trazer muito boas lembranças.
Foi um tempo mágico… Eu tinha todo o espaço da escola pra poder brincar… era como se meu quintal não tivesse fim. Me lembro com carinho também da D. Joaquina, servente que trabalhava na cozinha, e que sempre me preparava um chá de erva cidreira, que eu adorava.
Nos finais de semana, meu pai abria os portões pra meninada do bairro brincar e poder jogar bola, basquete etc… Nessa época eu sofria de bronquite e não podia participar dos jogos, mas ficava admirando meu pai jogar. Ele era muito bom jogador de basquete. São lembranças que não me saem do pensamento e do coração.
Eu participava nessa época da fanfarra da escola, quem diria, existia fanfarra sim. Eu ficava muito orgulhoso por poder participar, pois era algo que conseguia fazer, já que, por causa da bronquite, não tinha outras atividades. Um sonho que não me sai da memória.
Foi nessa época que meu pai começou a estudar Direito em Taubaté, interior de São Paulo. Foi um caminho de duas mãos, como se diz por aí. Ele se formou, tornou-se advogado, prosperou e foi embora, constituir outra família.
Minhas recordações alegres terminam aqui. Nunca mais voltei a Vila Brasilândia, não sei se por medo de enfrentar meus fantasmas interiores, ou se por vergonha dos amiguinhos que lá deixei. Ainda hoje fico contando os dias pra que possa chegar o momento de poder estar frente a frente com a escola da minha vida e com meus encantos e desencantos que deixei na inesquecível Vila Brasilândia.
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