A iluminação elétrica no Jardim São Luiz

Era um “breu só”, à noite não se enxergavam um palmo diante do nariz. Todos os afazeres maiores eram feitos de dia, cuidava-se de tudo com as minúcias do dia a dia, recolhia-se lenha para algum cozer, cosia-se “os trapos” com a luz do dia, preparava a alimentação de maior tempo no fogo brando… Os “mais ricos” tinham cota de fogão a gás. Torciam-se e retorciam-se as roupas corriqueiras, quaravam-nas em algum gramado ou dependurada na cerca que separava animais domésticos, da horta e da residência propriamente dita.
 
À noite “quando vinha caindo” estava preparada para o jantar a “luz de velas”, mais propriamente um candeeiro que enfumaçava um cheiro de querosene Jacaré pelos quatro cantos. Era um misto de penumbra que era somado ao passar o tempo com histórias um tanto tenebrosa que causavam espanto e medo, contadas por um faz de conta transmitida pelos adultos.
 
Claro que o “progresso” um dia chegou e seu Tertuliano, um padeiro renomado de Santo Amaro, dono da Panificadora Brasileira, mudou-se para o Jardim São Luiz e montou a Panificadora São Luiz, trazendo investimento para a redondeza. Ele não iria tocar suas máquinas indústrias no braço, então ele gastou “os tubos”, como se dizia quando o custo era elevado, para implantar a energia elétrica para movimentar todo seu equipamento. O primeiro transformador de energia elétrica parou bem próximo a panificadora e então “surgiu a luz” para os moradores locais. Juntavam-se dois ou três residentes e pagavam um poste de madeira para a Light e assim a linha dos fios de energia começou a se espalhar por toda redondeza. Não havia nem asfalto e nem iluminação de rua, mas já era uma grande coisa chegar à luz elétrica nas residências.
 
E assim “fez-se a luz” no bairro São Luiz!