Dia 21 de fevereiro é o dia oficial do imigrante italiano que, com garra e muita determinação, ajudou na construção dessa cidade cosmopolita. Nossas raízes são essenciais para compreendermos melhor a cultura, os conceitos individuais de nossos antepassados porque a sociedade atual está em perigo de ficar cada vez mais alheia às tradições deixadas de fora e esquecidas, porque nós mesmos somos estéreis, egoístas, muito diferentes de nossos ancestrais.
Ao invés disso, eles eram certamente mais altruístas e de melhores comunicações, especialmente na vida cotidiana. Devemos cultuar o passado que, temos de resgatar, preservar e passar adiante para as novas gerações, evitando, assim, de sermos uma árvore sem raízes.
A palavra de ordem era – "Iremos para a América, para aquele belo Brasil, e lá os nossos imigrantes e seus filhos trabalharão na terra com a pá e o suor do próprio rosto". Em vista disso, portanto, descendentes, tenham orgulho de seus humildes antepassados, pois são essas pessoas simples a quem eu procuro; o sal da terra por assim dizer, aqueles que domaram o solo bruto da nova terra e fizeram o sentimento florescer nos corações; são estes que eu procuro e gosto de encontrar, quando mergulhado na estrada da genealogia e da história e é apenas por imenso orgulho que me deixo levar, refazendo seus passos para assim os imortalizar na história.
"Sara quel che sara. Peggio del present non sara. Tentiamo la sorte. E poiché abbiamo, presto o tardi, da morire, tanto vale di lasciare la nostra pelle in América come in Europa… viva l'América! Morte aí Signori! Noi andiamo in Brasil. Ono toceberà aí padrone lavorares la terra".
Nessas condições, portanto, a imigração era não só estimulada pelo governo, como era também uma solução de sobrevivência para as famílias. Assim, é possível entender a saída de cerca de sete milhões de italianos no período compreendido entre 1860 e 1920. Os primeiros imigrantes deixaram a Itália na época da grande imigração de 1870-1920 foram, sobretudo, os venetos, cerca de 30% do total, seguidos pelos habitantes da Campânia, Calábria e Lombardia.
Esse primeiro grupo foi sucedido por imigrantes da região sul. Se os Venetos eram mais loiros do que a maioria dos italianos eram pequenos proprietários, arrendatários ou meeiros, para quem a possibilidade do acesso a terra era um estímulo decisivo para o empreendimento da arriscada viagem; os imigrantes do sul eram morenos, mais pobres e rústicos, geralmente camponeses que não dispunham de nenhuma economia e eram chamados de "braccianti" (braçais).
Já no Brasil, os imigrantes italianos se dirigiam para os estados do Sul: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e estados do sudeste: São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Aqui fundaram pedaços da Itália: Nova Roma, Nova Vicenza, Nova Veneza, Nova Trento, Novo Treviso, Nova Pádua, Nova Údine, Vale do Vêneto, etc. Graças à vontade férrea, a maioria venceu na vida e se tornou proprietária, alguns bem abastados.
"Dove lo stato era fallito, gli straccioni erano riuscite". "Onde o Estado faliu, os maltrapilhos tiveram sucesso". Em contrapartida, com a saída dos imigrantes italianos, permitiram o progresso da Itália, diminuindo a população e fazendo sobrar alimentos para os que ficaram. Recomeçando sua vida no meio do mato entre animais ferozes e com a falta de tudo, ainda mandavam tanto dinheiro aos parentes no "Paese" de origem, que o ministro das finanças da Itália considerou esses recursos um "ruscello d'oro" (um filete de ouro). Porém, a Itália só ultimamente começou se interessar por seus filhos "all estero" (no estrangeiro) calculados em vinte milhões, a maioria vivendo no Brasil. Os ítalo-brasileiros eram considerados a maior população de "oriúndi" (descendentes de italianos) fora da Itália.
Na Itália daquele tempo, as estatísticas falavam em 400.000 mortes por ano. Metade eram crianças com menos de cinco anos de idade, porque a comida era escassa, a higiene era precária, quase nula, e as consultas médicas a um preço proibitivo. Dos 3.672 trabalhadores nas minas sicilianas de enxofre, só 203 foram declarados de boa saúde e aptos para o serviço militar. O resto era tudo doente. Dos 30 mil habitantes, 21 mil eram colonos. O arado era ainda aquele do prego, o mesmo usado por Cincinato, há dois mil anos antes de Cristo. Entretanto, a Inglaterra, a França e a Alemanha já haviam ingressado na era industrial. A Itália parecia um país de miseráveis, analfabetos. Só no Piemonte e na Planície do Pó demonstravam um pouco de progresso agrícola. Aqui no Brasil, entretanto, encontrava dificuldade quanto a uma mão de obra especializada, basicamente dependia da força de trabalho formada por escravos negros e no mesmo ano seria adotada a lei Eusébio de Queirós, que proibia o tráfico negreiro.
O governo brasileiro tomou conhecimento que levas de imigrantes europeus estavam partindo para os Estados Unidos, Austrália e a própria América do Sul, levando na bagagem um sonho de uma vida melhor, foi quando o mesmo se interessou em trazer estas levas de imigrantes para o Brasil. A primeira leva de imigrantes italianos vindos para o Brasil aconteceu em 1874, porém, a imigração só foi oficializada em 1875.
A travessia do Atlântico, em velhos e obsoletos navios, era dramática, um jogo no escuro; tudo podia acontecer ou correr bem, ou mais ou menos, ou então mal. Mortes de pessoas na travessia eram comuns. Naufrágios, também, não raro aconteciam. De qualquer forma, os "quaranta sei giorni di macchina e vapore" (quarenta dias na máquina a vapor) constituíam uma angústia e um medo só.
Por isso tudo, descendente dos uriúndi ancestrais italianos, é que temos orgulho dessa brava gente, que veio para o nosso amado Brasil, com muita coragem e determinação em busca de dias melhores. Dia 21 de fevereiro é a comemoração oficial da imigração italiana no Brasil. A toda essa brava gente, raízes das novas gerações que se formaram neste Brasil, o meu respeito, a minha eterna admiração e gratidão ao querido povo imigrante italiano. Sou um brasileiro orgulhoso de nascimento, filho de imigrantes italianos por parte paterna e materna e, também, um italiano de coração.
E-mail: [email protected]