Uma comida típica brasileira.
Nasceu nas fazendas dos escravos séculos atrás,
quando os patrões se banqueteavam
com as melhores carnes do porco
e dava as carnes que não queriam
para o pessoal dos porões.
Isso acontecia nos fins de semana,
geralmente sábado.
Para ajudar a render
os pobres pedaços do porco,
colocavam feijão preto, era feito um arroz, farofa,
muita couve, e as pimentas
que eram a alegria do pobre.
Os escravos comiam e bebiam aguardente
que chamavam de cachaça,
pois o porco era conhecido por cachaço.
Ficou a tradição.
Na Barra Funda e em São Roque
as nossas feijoadas eram famosas.
As criações dos capados eram para isso.
Nas grandes panelas da família,
eram preparadas muitas linguiças, toucinhos, banha,
e saiu muita feijoada e muita carne defumada.
Era muito divertido.
Nas feijoadas a minha função era ficar furando as linguiças,
que saiam do funil da maquina de moer, cheias de ar,
furava com rolha cheia de agulhas.
Toda a família ajudava a picar as carnes
e as capas de gordura para ferver e tirar o óleo.
A gente ainda precisava espremer o torresmo,
naqueles espremedores de batata que se faz purê,
para filtrar o óleo que ia para as latas.
Comer aquele torresminho com pão italiano…
Era um castigo,
mas eu agüentava muito bem.
Um grande capado
dava umas sessenta latas de dois litros de óleo,
que depois quando esfriava,
ficava aquela banha branquinha.
Muitas latas tinham as linguiças dentro.
Eram umas latas verdes e redondas da Wilson.
Muito toucinho e linguiça
ficavam em cima do fogão a lenha do sítio, defumando.
Outras linguiças eram comidas bem mais cedo
como os chouriços que eram feitos com o sangue,
ou gudeguim onde as carnes eram moídas com pele fervida.
Mas além das linguiças o melhor sempre foi enfrentar
as feijoadas e os leitões a pururuca.
Assados no forno com a cebola na boca.
Era simplesmente o manjar do Olimpo.
Na feijoada completa,
tinha todos os pedaços do porco
nunca cortando pedaços menores que dez cm
para as carnes não sumirem.
Não podia se mexer muito porque senão os pedaços
ficavam todos miudinhos e virava sopa de porco.
Minha avó Estela sempre disse que carne de porco,
se estivesse salgada já não ficava boa,
porque a comida desidratada
nunca fica igual como a carne fresca normal,
mais macia e de fácil preparo.
Era famoso o feijão branco
com pés de porco que ela fazia,
e se não tivesse os pés bem grandes sem sal,
ela preferia não fazer.
Nas feijoadas que se fazia lá em casa,
se tivesse que lutar com as carnes
para se tirar tanto sal das carnes salgadas,
com certeza iria ficar muito esquisito.
O melhor é pelo menos
dividir meio a meio,
carne salgada e carne fresca.
Nas nossas feijoadas,
tudo era preparado no dia anterior
para ser servido no dia da festa,
por que quando tinha feijoada em casa
era realmente uma festa!
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