Ela é bonita desde que nasceu. As fotografias a tem mostrado menina, adolescente e agora ela está em plena maturidade. Linnnnnnda! Não há quem não se apaixone por ela! Ainda esta semana pude vê-la em toda sua exuberância: exibida, altiva, sex provocante, insinuante e sei lá quantos adjetivos mais podemos dar-lhe. Além disso, a todo momento mudando de maquiagem para estar sempre na moda. Seu nome? AVENIDA PAULISTA.
ASSIM CONHECIDA E AMADA POR TODOS QUANTO A CONHECEM!
Fui, esta semana, dia 09/06, a um dos seus mais belos edifícios, o da FIESP, projeto de nosso glorioso e premiado arquiteto Paulo Mendes da Rocha. O prédio da FIESP, o prédio do Banco SUMITOMO, o prédio do MASP são edifícios que a diferenciam dentro do aglomerado de edifícios repetitivos e cheios de vidros coloridos, sem graça e sem uma marca arquitetônica que povoam nossa cidade. Claro que temos prédios antigos e muito lindos, mas projetados em outra época. Neste momento estamos com nossos olhos cansados e exaustos de tanto vidro colorido! Arre!
Andar pela Avenida Paulista é um lazer e um grande prazer. Ainda está lá também o belo e pioneiro edifício do Conjunto Nacional. O Parque Trianon está sendo reformado, e isto é muito bom porque é outra das belezas da nossa Miss, que não pode fenecer. Precisa apenas de mais policiamento para que a população realmente o desfrute em toda sua plenitude.
Além destas belezas próprias da Avenida, ela ainda é também um lugar de cultura. Lá estão cinemas, teatro, grandes livrarias, imóveis tombados e preservados que atestam as belezas de seu nascimento e muitas, muitas exposições em seus muitos edifícios.
Precisei ir ao edifício da FIESP e como cheguei cedo pude desfrutar de uma bela e educativa exposição sobre azulejos portugueses, na Galeria de Arte do SESI no andar térreo. O que lá está exposto veio do Museu Nacional do Azulejo de Lisboa.
A Coleção mostra, através de azulejos, desenhos de peças de cerâmica tridimensional, mais de cinco séculos de cultura portuguesa e uma grande parte de sua história, já que o uso do azulejo faz parte da arte e da mentalidade de Portugal.
Eu não sabia, por exemplo, que as técnicas do azulejo vieram da Espanha e que Portugal, ao iniciar seu uso no revestimento de paredes, no século XVI, se utilizava das padronagens produzidas em Sevilha, reinventando suas matrizes. Portugal encomendava azulejos na Antuérpia.
No Brasil, os azulejos foram trazidos pelos portugueses, coincidindo com o apogeu da arte de azulejaria em Portugal e com a vinda da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, tendo grande difusão na azulejaria encomendada para cidades como Salvador, na Bahia. Através do azulejo reinventa-se por vezes, em painéis de grande porte, a paisagem urbana portuguesa, em cidades e vilas do Brasil, principalmente em São Luiz do Maranhão, Belém do Pará e Bahia. Enfim, é uma bela exposição que vale a pena ser vista.
Saindo de lá fui até o Conjunto Nacional dar uma olhada na Livraria Cultura, que faz jus à Avenida, e tomar um café. Sentei-me e fiquei olhando um pouco do movimento, sempre intenso, com os paulistas e paulistanos correndo de um lado para o outro e talvez nem prestando atenção na sua Miss.
São Paulo tem muitas Avenidas bonitas e interessantes – a São João com sua história e que conta muitas histórias, a Ipiranga com sua beleza particular e outro belo edifício, o Itália, de outro premiado arquiteto, Oscar Niemeyer. A Avenida Rio Branco, a Duque de Caxias, a Tiradentes, com seu belo edifício da Pinacoteca do Estado, também remodelado por Paulo Mendes da Rocha e em frente o Museu de Arte Sacra em seu edifício antigo e tombado pelo Patrimônio Histórico, e tantas outras ainda por nomear. Mas, de todas, a AVENIDA PAULISTA é para mim a eterna MISS SÃO PAULO.
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