A Cinelândia Paulistana

Nos anos 60 a cinelândia fervilhava. A diversão máxima era ir assistir a um filme no domingo. Cada domingo um cinema diferente. Entre os melhores estavam o Marrocos, Ipiranga, Cinerama e Ouro.
O Marrocos atraia pela cachoeira na entrada e o Leão da Metro urrando lá dentro. O Ipiranga tinha balcões disputadíssimos pelos estudantes que além do filme ficavam paquerando do alto. O Cinerama trazia vida nova. O som era imaculado. Por fim, chegou o Ouro, renovado. As filas para ouvir o concerto de piano antes da cortina eram imensas.
A viagem de Pinheiros ao centro era outro prazer. O bonde que nos levava dava uma alternativa divina. Podia-se ir direto via Consolação, ou se o tempo permitisse e a companhia fosse mais agradável, ia-se via Angélica. O balanço nos trilhos aumentava o romance. Porém, a única pressa mesmo era ir direto ao Ipiranga para ver Os Brutos Também Amam, e sair se achando o mais viril dos valentões.
Assim, as tardes de domingo passavam morosa e romanticamente. Não havia o rush do trânsito ou a pressa, pelo menos para os adolescentes. Havia tempo pra tudo. O dia durava muito e a gente era feliz. Os sonhos estavam nas telonas e cada um se esmerava o máximo pra ver e ser visto. O sonho estava na fita e a felicidade em nossas mãos. A gente sorria, mesmo que por nada. Era a pura felicidade.