A casa encantada

Por volta de 1953 ou 1954, minha querida e saudosa mãezinha, para ajudar meu amado pai a sustentar a casa, era empregada da família Lins da Nova, moradores de uma pequena mansão, mas imensa para os padrões da época, pois a maioria do povo era pobre. Situava-se na Rua Estados Unidos no Jardim América, atrás do famoso Clube Paulistano da cidade de São Paulo, frequentado pela alta elite da sociedade e que deve estar ainda em atividade.

Lá chegávamos eu e ela para mais um dia de seu trabalho, o qual era destinado a passar as belas peças do vestuário da menina da casa, que se chamava Maria Regina. Era então para nós servido um completo café da manhã; para mim era totalmente diferente daquele que estava acostumada em minha casa, ai já começava as minhas surpresas.

Enquanto minha mãe fazia seus deveres, eu tinha permissão de andar pela casa, com a restrição de não colocar a mão em nada, olhar apenas. Então ia eu a passear pelos cômodos: sala de jantar com suas baixelas; sala de estar na qual tinha uma mesinha enfeitada com diversas colheres trabalhadas em prata e de todos os tamanhos; jardim de inverno recheado de plantas com seus sofás aconchegantes… No corredor do andar de cima, tinha uma parede coberta de flâmulas dos mais variados países e que eu tentava ler, mas era impossível, pois eram estrangeiras.

E continuando minha caminhada ao recinto, cheguei ao quarto destinado à menina, então me deslumbrei com seus brinquedos, vestidos, sapatos e enfeites. Era para mim a casa encantada na visão de criança, porque minha vida era bem diferente. Na minha ingenuidade não sentia inveja ou ciúmes, pois tive uma infância pobre mas cheia de amor, de pais simples e amorosos dedicados a nos dar uma boa educação, exemplos de honestidade e humildade, que me fez ver a vida como ela é e aceitar as diferenças, graças a Deus.

Assim essa lembrança permanece na minha memória, trazendo recordações de um tempo que jamais voltará.

Obrigada mais uma vez a este site que está sempre à disposição de quem tem belas histórias de vida para contar, abraços a todos.

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