Quando eu morava no Cangaíba, tínhamos um vizinho que morava numa casa que mais parecia um sítio urbano. Tomava boa parte do quarteirão!
Cercada de muros altos, árvores altas e você somente via dois portões: um bem grande na lateral do imóvel – de garagem – e outro, na rua de cima de tamanho normal. Ambos de ferro, sem qualquer visão de seu interior. Lá morava o Dr. Edgar – médico de um grande hospital de São Paulo.
Até o imóvel ser grande, nada de mais. O que sempre chamou a atenção da vizinhança era a presença de animais como cavalos, bois ou vacas (não sei), perus e sabe-se lá mais o que! Sabíamos destes animais, pois o canto do peru todo mundo conhece e o bichinho cantava várias vezes ao dia. Cavalos e vacas nós reconhecíamos pelo cheiro e toda semana um caminhão de feno vinha e descarregava aqueles "fardos" amarrados de alimento para os animais.
Sempre tive a curiosidade de conhecer aquele "quintal" para ver os bichos, mas nunca foi possível. A única pergunta que ficava no ar era: se eram animais de estimação ou se da vaca tirava-se o leite, se os perus viravam ceia de Natal, se o cavalo era de corrida.
Depois que fomos desapropriados e nos mudamos para Guarulhos, nunca mais soubemos do paradeiro do Dr. Edgar e dos animais. Só vimos que o remanescente do imóvel foi vendido e hoje funciona uma empresa lá.
Como vocês podem ver, tenho ótimas lembranças de minha infância.
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