Bons tempos eram aqueles, quando eu ia à casa de minha querida avó, no bom bairro do Bixiga, atualmente conhecido como bairro da Bela Vista. Eu era filha única e meus pais trabalhavam fora e quando ficávamos sem empregada para cuidar de mim, era para a casa da minha avó que eu ia. Lá na Rua Santo Antonio, próximo da Rua Treze de Maio, eu passava horas felizes ao lado da minha avozinha, que infelizmente não está mais entre nós.
A casa dela era grande e tinha um quintal maravilhoso, onde a minha prima e eu brincávamos de tudo que se pode imaginar. Durante a semana, quando eu ia a sua casa, passávamos a tarde toda conversando. Eu adorava quando minha avó contava as histórias de sua infância e de como ela havia conhecido o meu avô. Aos finais de semana, mas precisamente aos domingos, era o dia da maravilhosa macarronada da minha avó, e lá eu ia com o meu pai e a minha mãe.
Enquanto ela fazia o seu espaguete com as bracholas, as minhas duas tias avós faziam o bolinho de carne e de arroz, que eu amava! Meu avô colocava na vitrola os seus discos favoritos e para petiscar, antes do almoço, um bom queijo e um belo vinho. Eu sempre brincava com a minha avó, dizendo á ela que a sua casa, um dia ia se tornar mais uma cantina do Bixiga.
Com o seu falecimento a casa foi vendida a uma mulher e infelizmente o que eu dizia a ela, sobre a sua casa virar uma cantina não passou de uma brincadeira! Hoje minha vida mudou muito e com a correria do dia a dia só me restam às lembranças da casa da minha avó, daquela rua e daquele bairro que nunca mais esqueci.
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