Através dos tempos desde sua invenção até os anos 1980 o fósforo teve papel importantíssimo na vida do homem, no lar, na indústria e principalmente no acendimento dos cigarros, charutos, cachimbos. Tinha até cacoete para segurar a caixinha e tirar o palito e acender o cigarro.
O elemento fósforo encontra-se na caixa, aquela faixa preta de ambos os lados e no palito encontra-se a pólvora, se os palitos tivessem o elemento fósforo podiam incendiar com o atrito entre eles dentro da caixa.
Lembro-me bem de que em minha infância nos anos de 1950, o cigarro era uma febre, mil marcas, era elegante fumar, dava status, o sujeito era mais homem, mais viril, e carregava com orgulho o maço de cigarro no bolso e ao seu lado a caixinha de fósforo, uma dupla inseparável, muitos não carregavam e pediam assim:
– “Tem fogo ai?”.
E o portador do fósforo prontamente acendia o cigarro do outro que já estava na boca, e os famosos "semidão" ou "serrote", pediam o fogo e o cigarro também.
As marcas de fósforos que mais circulavam nessa época eram a Argos, a Girassol, a Paraná, a Guarany, a Fiat Lux, a Olho, e a Pinheiro, todas eles vinham com o aviso: “Fósforo de segurança”. Cada caixa continha, em média, 50 palitos. Nunca soube se alguém conferiu.
Uma vez estava a serviço na Empresa Andrade La Torre, em Jundiaí, uma das maiores fabricantes de fósforo, e vi na sala de recepção um quadro com muitas marcas de fósforos por eles fabricados. Muito bonito e interessante saber que em Jundiaí era ou ainda é a terra dos palitos, fósforo, palito de dente, espetinho para churrasco.
No lar nem precisava falar, era usado para acender primeiro o lampião de gás ou a querosene depois o fogão a gás, forno e mais atualmente o aquecedor a gás, ultimamente os fogões e aquecedores e demais utensílios já vem com o acendedor automático.
O fósforo teve grande perda de circulação quando dá invenção dos isqueiros, e ou dá chegada desses micros maçaricos no Brasil, que teve popularização grande em pouco tempo. E de alguns anos para cá, com a proibição do cigarro e a campanha contra a venda, caiu mais ainda o consumo.
Mas, voltando nas décadas de 1950 e 1960, o fósforo não era só para acender algo, ele tinha muitas utilidades como, numa batucada, roda de samba, era comum na falta de um pandeiro ele virar um instrumento na mão do batuqueiro e o som era muito bom.
No jogo de botão, na falta do goleiro que a criançada perdia, usava-se uma caixa de fósforo vazia, muitas vezes colava-se o distintivo na caixa, ficava bonito e personalizado.
Nas ruas onde havia aquela areia nas laterais, como a minha aqui na Vila das Belezas, antiga Rua Projetada, depois Rua B e hoje Rua João Fernandes Camisa Nova Junior, a areia vinda do calçamento da rua com pedras tipo saibro para não fazer barro, isso antes do asfaltamento. Essa pedra soltava uma areia com a passagem dos veículos e ficava acumulada nos cantos da rua, servia inclusive para jogar malha, mas nós (os moleques e rapazes) jogávamos cacheta ou caxeta, não sei por que esse nome devia ser por causa da caixa de fósforo, esse também é o nome de um jogo de baralho.
O nosso era um mini jogo de malha em uma distância de no máximo 10m e a malha era uma moedas sem valor ou uma malha pequena de ferro e o pino era a caixa de fósforo, com areia dentro para firmar no chão e o vento não levar, o objetivo era derrubá-la ou chegar próximo a ela.
Alguns jogavam até valendo dinheiro, mas quando aparecia a famosa baratinha ou RP, conhecido como "fusca" todos guardavam o dinheiro, pois a polícia naquela época parava e pedia os documentos.
A caixa também servia para disputarmos um jogo que consistia em clicar no vértice da caixa e deixar ela em pé em qualquer face, tanto do lado do elemento químico fósforo como do lado da abertura da gavetinha que continha os palitos. Quando a caixa caia deitada a vez era do jogador seguinte, cada acerto valia dois pontos.
Muitas crianças faziam das caixas de fósforos carrinhos, trenzinhos e montagens em geral, como casinhas e palácios, semelhantes aos construídos com cartas.
O termo “caixa de fósforos” é usado como adjetivo pejorativo, como: aquela casa ou estádio é uma caixa de fósforos, com a alusão de pequena e apertada.
O colega nervoso era taxado de cabeça de fósforo, pelo seu comportamento explosivo.
Na escola a palavra fósforo era lembrada na aula de português como exemplo de proparoxítona.
Os palitos, também sempre foram objeto de uso geral, como jogo do palitinho, que até hoje pode se notar em diversos bares e praças, principalmente no interior. Vi muita gente usar na boca, como passatempo ou coisa parecida, as crianças fazem quebra cabeça, com figuras de todos os tipos na mesa ou chão.
A caixa de fósforo como os palitos já tiveram versão em papelão com poucos palitos geralmente dados como brinde e continha propaganda em sua face, pois o tradicional palito é feito em madeira de pinho.
Enfim, a caixa de fósforo, teve sua história, seu auge de consumo e ainda terá por bom tempo um consumo razoável, pois em uma emergência:
-“Cadê o fósforo?”
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