A Bienal do Livro

Sábado… Em casa ninguém quis ir, e devidamente autorizado pela esposa, vou sozinho.<br><br>Tudo planejado: a Bienal do Livro fecha às 22h.<br><br>Às 16h saio de casa com o estomago na lua. Penso: “Como alguma coisa por aí até as 17h, chego à Bienal às 18h, fico até o fim acreditando que em quatro horas dá para “achar” um bom livro”.<br><br>Pego o carro, desço a ladeira e penso: “Mc Donalds?”.<br><br>É rápido, mas queria alguma coisa mais rebuscada. Entro na Avenida Vicente Rao e penso: “Boa, o Xis Picanha fica no caminho”. Na Avenida Ibirapuera, chego ao Xis Picanha e uma faixa informa: “mudamos para a rua ao lado da igreja de Moema”. Fui a tal rua, mas o local já não era o mesmo.<br><br>Penso: “Chico Hambúrguer, claro!”. Entro a Av. Ibirapuera novamente, olho, não tem onde parar, o preço do estacionamento é caro, e somado ao gasto que terei lá, foi devidamente descartado.<br><br>Bom só me resta comer alguma coisa dentro do Parque Ibirapuera. Paro próximo a Bienal, compro 3 folhinhas de zona azul, coloco no parabrisa do carro, chego à porta e pergunto a um segurança onde é a entrada.<br><br>Ele pergunta onde eu quero ir e digo: <br>- “Á Bienal do Livro, é claro!”<br><br>Gentilmente ele informa que a Bienal do Livro está sendo realizada no Parque de Exposições do Anhembi. Acho um absurdo, reclamo que deveriam informar, mas ele argumentou que ha anos foi transferida para lá.<br><br>Fico me sentindo um alienado, quando chegam 3 senhoras e a conversa se repete. Elas aproveitando-se da sua condição feminina descascam o verbo protestando, aí eu pergunto se já apareceu alguém perguntando a mesma coisa. Ele confirma que desde a hora em que começou a trabalhar mais ou menos uns 15 grupos de pessoas cometeram o mesmo engano. <br><br>Saio do bate-boca que continua, pego o carro, passo por dois cabeludos que estavam com de duas cabeludas descendo de outro carro no estacionamento, em direção à Bienal, abro a janela e pergunto, imaginando ser outro grupo de enganados: <br>- “Vocês vão a Bienal?”.<br>- “Não, que nada! Vamos ao festival de Jazz que vai começar daqui a pouco, ao ar livre, aqui mesmo, dentro do Parque Ibirapuera”. Responderam.<br><br>Pronto. Paro o carro e penso: “já que eu estou aqui e preenchi as malditas folhas de zona azul, não tenho nada a perder”.<br><br>Saio do carro, frio de 8 graus, acho o palco, dou uma perambulada (não dava para ficar parado) e inspeciono as pessoas que estavam começando a chegar com o escurecer. Bebê recém-nascido com os pais, rastafáris, intelectuais, famílias completas, adolescentes solitárias, extraterrestres, músicos e pessoas de todos os tipos.<br><br>Não dava mais! Estava muito frio aí tive uma boa idéia: “Vou tomar uma pinguinha”, imaginando que seja como aquela que é fabricada por uma família de italianos no RGS (casa Bucco) ha gerações, daquela que você toma um copinho a cada 2 meses ($) com medo de acabar e só oferece a visitas muito especiais.<br><br>Chego ao bar dentro do Parque e peço: <br>- “Uma pinga e uma porção de fritas”.<br><br>Encosta um adulto jovem do lado, pede qualquer coisa e fica esperando ao meu lado. Chega o barman põe um copo tipo americano, de plástico, no balcão, enche rapidamente até seu limite máximo e só para quando transborda, para meu desespero.<br><br>Olho para a pessoa ao lado e pergunto:<br>- “Você não quer ficar com a metade?”<br><br>Recusada a oferta, saio com o copo de pinga derramando e um pacotão de fritas na outra mão. Penso: “Paguei, agora aguenta!”.<br><br>Tomo um golinho e sinto como se fosse uma mistura de gasolina, querosene e ácido sulfúrico. Penso: “Não, assim não vai dar, tem que ser um golão”.<br><br>A essa altura os músicos já estavam tocando e o local ficou repleto de gente, apesar do frio polar que estava fazendo. Parei e dei o tal do golão. Nossa! O resto foi para o Santo, acho que mais ou menos a metade.<br><br>Ai o frio não ficou tão insuportável assim, vi três conjuntos de jazz, um de “New Orleans”, um trio do Canadá e outro que eu nem quis saber de onde era, mas todos excelentes.<br><br>Terminado o show, voltei para casa, e ouvi quando entrei: <br>- “Estava cheia a Bienal? Estou com muito sono, vou dormir!”<br><br>Sentei, liguei a televisão e sozinho cai na risada, pensando: “Outra Bienal igual a essa não posso perder de jeito nenhum”.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br><br>