Os anos dourados da minha infância eu passei no bairro de Indianópolis, próximo ao Aeroporto de Congonhas. Da janela de casa eu via os aviões subirem e descerem na pista.
Nossa casa ficava na Rua Aratãs, quase esquina com a Guaicanãs, uma das poucas ruas asfaltadas da vizinhança, porque nela passava o Aeroporto-Perdizes.
Já meu amigo José Antonio, a poucas quadras da minha casa, na esquina da Miruna com a Guaicanãs, morava em rua de terra, pois ali não passava ônibus, além de ficar mais perto do "buraco".
O tal "buraco" veio a ser a Avenida dos Bandeirantes. Um barranco para descer, um matagal para atravessar e um morro pra subir, até chegar na cerca que protegia o Aeroporto.
Só que a cerca não o protegia de nós, moleques, que nos achávamos no direito de entrar, estimulados pelo fato do pai do José Antonio ser comandante da Varig.
Assim, furávamos a cerca e íamos "tentar" parar os aviões no peito… e quando não dava, fazíamos coisas mais prosaicas, como andar de bicicleta e caçar ratos no matagal do buraco.
Das minhas reminiscências infantis, hoje eu só enxergo o morrinho no qual está instalado o Aeroporto. E os ratos, nem esses devem ter agüentado o movimento da Bandeirantes…