A ausência de Anita

Em 1959, eu cursava o 2o. ano do Ginásio no curso noturno do Ginásio
Centro Independência, no Ipiranga.
Havia na escola, nessa época, duas irmãs muito bonitas.
Uma delas, a Anita, era minha colega de classe e tinha apenas 13 anos
sendo que eu tinha 14 anos, embora ela fosse uma criança era muito bonita, mas ainda estava em formação, portanto, tinha pouco seio, era
ossuda, mas prometia se tornar uma linda mulher.
Eu era um garoto ingênuo, sim naquela época com 14 anos éramos crianças ingênuas e como era previsível, visto que morávamos próximos e íamos embora todo dia juntos nasceu uma "paixão arrebatadora".
Três meses depois, da minha parte, a paixão havia arrefecido e eu sentia falta da algazarra com os colegas e sendo assim terminei o namoro.
No final do ano eu fui aprovado e ela não, simultaneamente ela mudou-se para outro lugar do Ipiranga e perdemos o contacto.
Passado 1 ano, eu estava trabalhando no Mappin quando o recepcionista do meu andar foi à minha secção e disse:
-"Souto, tem uma tremenda loira te procurando".
Dirigi-me à recepção e para minha surpresa deparei-me com uma Anita
já moça/mulher, linda, sexy, com o cabelo tingido de loiro e, o que foi melhor, ainda apaixonada por mim, daí reatamos.
Nessa época ela era caixa da Doceira Paulista e assim uni o útil ao
agradável, pois todo dia na hora do almoço eu ia namorar e aproveitava para comer um doce "Mil folhas", ainda me sentia o máximo pois ela era alvo dos olhares cobiçosos e era minha namorada.
Porém, como tudo que não exige esforço a gente não valoriza, alguns meses depois tornei a terminar com ela.
Passado mais um ano, eu estava descendo as escadas de serviço do Mappin quando no prédio em frente, na R. Cons. Crispiniano eu a vi, linda, deslumbrante, enfim um "mulherão". No ato eu pensei: vou voltar com ela, contei os andares e como era fim de expediente deixei para o dia seguinte.
No dia seguinte, procurei-a no local que a havia visto quando fui informado que no dia anterior havia sido seu último dia na empresa.
Como tudo que a gente não pode ter a gente quer, bateu-me uma "paixonite", mas nunca mais a vi.
Durante muito tempo, sofri com "A AUSÊNCIA DE ANITA" sofrimento que só acabou quando conheci aquela que viria a ser minha mulher e que, apesar dos percalços estamos juntos há 36 anos e que era tão bonita quanto a Anita, na época, e hoje é uma senhorinha linda, que quando entra na fila da 3a.idade todos reclamam e dizem que ela não pode, pois ainda não é da 3a.idade e quando eu estou junto me encho de orgulho.
Agora, aos 62 anos, quando estou no mar com meus pensamentos, pergunto: -"Por onde andará Anita, a que me amou sem reciprocidade"?