Inesperada aquela hospedagem,
lá na Rua Vergueiro.
Temor, medo e destino incerto.
Guardava silêncio, cuidado e cautela.
Um momento delicado, o pai estava internado.
Para não atrapalhar o doente, à noite,
colocou o par de sapatos
no peitoril da janela do quarto.
Bem cedinho, para ventilar, abriu-a
e lá se foram os sapatos voadores.
E agora, o que fazer?
Muita calma nessa hora, como explicar o ocorrido?
Saiu sem sapatos mesmo.
Na rua, olhava a marquise na esperança de alguns sinais deles.
Só no final da tarde,
com muito empenho da irmã,
o difícil resgate foi realizado, pela manutenção,
com uma exclamação:
“e é de plástico!”.