Estou tendo muita alegria por estar participando até agora do site sãopaulominhacidade. Tenho feito alguns artigos, e nem todos são aproveitados, mas de nenhum modo me aborreço porque já tive a minha chance de participação e gostei muito de ter conhecido essas quase mil pessoas daqui. Alguns até meio "familiares", então, é só alegria.
Adoro quando alguém comenta, mesmo que seja para corrigir um erro ou lembrar de algum detalhe. Feitas essas observações, vou logo para a história, que é o que interessa.
Durante a semana de trabalho aí em São Paulo, na década de 60 quase 70 de 2ª as 6ª feiras, o pau pegava! Não tinha moleza nenhuma. Mas difícil mesmo era nos fins de semana, devido à solidão. Todos desapareciam e a cidade virava fantasma, onde todos tinham sumido um deserto só.
Um dos meus colegas de serviço, o Agnelo, sua função "boy" e morador de Perdizes, era um garoto mais novo do que eu, uma diferença assim entre 4 e 5 anos. Possivelmente por piedade, o cara teve a iniciativa de me convidar para ir a sua casa num domingo. Dia bonito ensolarado e com o endereço cheguei até sua casa. Descendentes de italianos, como eu, a casa bem arrumada, bem decorada a mãe dele uma senhora distinta dava pra ver pela aparência, me atendeu com uma delicadeza e cortesia daquelas de quem recebe um pobre príncipe. Naquele clima de mistério e de poucas afinidades, o pai do Agnelo sentado à mesa não dizia uma palavra. Só observava ou lia o jornal e eu ali parado, quieto quase sem me mexer.
Passados um tempo e de repente a mãe do Agnelo avisou: Está pronto! Ela nos trouxe uma travessa de vidro pirex, com uma "fervente" lasanha e com todo o cuidado que o prato quente requer.
De luvas e de avental e demais ingredientes à mesa.
A gente não deve conversar sobre comida. Isto indica falta de educação. Tem certas coisas que não se diz, não se comentam, apenas se aprecia e pronto.
Me servi com esforçada educação. Comi dois pratinhos de lasanha e confesso a vocês que a minha vontade era comer muito mais, pois estava uma delícia. Mas segurei e suportei minha vontade de glutão e naquela pressão psicológica toda passou. Este momento, no entanto, ficou gravado na minha memória e a compartilho com vocês para ressaltar a importância de um momento vivido em boa companhia e também nos serve para lembrar que convidar pessoas para nossa companhia, alguém que mal conhecemos para um "simples" almoço, ou mesmo convidar pessoas para partilhar do nosso convívio social, até colegas de trabalho, demonstram o respeito e a consideração alheia e para que um dia um "banquete" desses, pode como foi o caso, se transformar em uma bela história. Faço isso por gratidão somente.
Ao me afastar da empresa em que trabalhava, perdi o contato com eles. Este amigo já foi apresentado em outra historia que escrevi e que está publicada aqui com o titulo: Cidadãos paulistas de 1ª categoria e só Deus sabe por onde andam eles – aquele convite e recepção fizeram parte da historia que hoje lhes conto lembrando aquele distante domingo. Abraços.
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