Garoa e o bonde Angélica

Cenário: Anos cinqüenta.
Nas noites de domingo me lembro que meus pais e eu quase sempre voltávamos de um encontro com a família de minha mãe em Perdizes.
Quando caía a noite voltávamos para a casa na Rua Vergueiro, na Liberdade, para o recomeço de mais uma semana.
Esperávamos por muito tempo o bonde 19 em Perdizes no final da Rua Caiubí para saltarmos na Praça Marechal Deodoro. A garoa e o frio eram terríveis. E a angustiante espera do bonde Angélica de numero 36 era compensada pelo seu percurso maravilhoso pela outrora iluminada avenida. Lindo era o percurso através da vazia Av. Paulista. A beleza do Fasano me chamava a atenção. O ronco do motor elétrico e a romântica luz tênue de seu interior estão vivas em minha memória.
As gotas daquela garoa ainda não secaram no meu coração.

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