Foi em 1952 que a cidade de São Paulo teve a inauguração do mais lindo e charmoso cinema da América Latina: o maravilhoso Cine Marrocos.
Inaugurado com o filme “Música e lágrimas”, com James Estwart e June Alyson, que contava a história do músico Glenn Miller desaparecido em uma viajem de avião.
Alguns anos depois, em 1954 exatamente, aconteceu no Cine Marrocos o festival mundial de cinema, com a presença de grandes atores do cinema como Errol Fflyn, Ronda Fleming, Tony Curtys, Ninon Sevilha, Ramon Novarro, Fred Mac Murray, entre outros.
Foi uma semana maravilhosa: todos os dias tinha filme do festival, os atores ficavam na porta… Era uma loucura! A polícia não conseguia afastar os fãs enlouquecidos.
Foi também o primeiro cinema a ter um lindo bar na sala de espera. Entre uma sessão e outra a gente ficava no balcão do bar tomando uma bebida e esperando a sessão começar.
Os homens só entravam no cinema vestindo terno e gravata, era um cinema muito luxuoso.
A sua entrada tinha uma escadaria maravilhosa, parecia até uma pirâmide do Egito.
São Paulo tinha muito orgulho de ter um cinema de classe como o Marrocos. Tive momentos maravilhosos com as minhas namoradas nas sessões.
Lembranças dos momentos felizes, quando a cidade de São Paulo era uma beleza. As pessoas bem vestidas, os homens de chapéus… Enfim foi uma época inesquecível.
Mas tudo acaba na vida. Passando pela cidade, para matar a saudades dos bons tempos, quase tive um infarto: vi o Cine Marrocos abandonado e invadido pelos sem tetos.
Uma sujeira, um mal cheiro, tudo quebrado e abandonado. O prédio quase todo invadido pelos moradores de rua.
Comecei a chorar. Era como se um parente estivesse morrendo. Eu queria gritar por socorro: “salvem o Cine Marrocos!”
Não é possível que nenhum político defende essa maravilha.
Fui para casa muito triste. Espero que alguém lute pelo lindo e falecido cine Marrocos.