Olarias, tijolos de barro e a família Moreno Polido

Esta história foi possível porque um de meus tios, em um momento de nostalgia, confidenciou para mim a saudades daquele tempo. 
 
Muitos descendentes da família não tem ideia de como os pioneiros trabalharam. Tentarei aqui descrever uma fase importante, não só para a minha família como também de muitos outros, que vivenciaram o que é uma olaria de tijolo.
 
João Moreno e Miguel Moreno trabalhavam na olaria de um vizinho. Acordavam às 4 da manhã, tomavam o café, seguiam para a jornada.
 
Um dia, João falou com o seu pai (de mesmo nome) sobre a possibilidade de investirem em uma olaria própria. Era necessário construir um forno, adquirir equipamentos para preparar o barro, formas, bancadas, etc.
 
Como o pai tinha receio de que pedissem demissão, os dois irmãos trabalhavam em duas jornadas. Primeiro cumpriam o horário normal do serviço fixo. Após o expediente eles trabalhavam na sua pequena olaria, construída defronte a cada da família, no sítio.
 
As vendas se iniciaram e todos ficaram animados, aos poucos ampliaram a olaria. Depois construíram outra, depois outra. As mulheres, filhas, vizinhos, todos participavam na produção dos tijolos. Cada um participava de uma atividade. Quanto mais trabalhavam, mais ganhavam. Era duro aquele trabalho. 
 
Muitos caminhões de tijolos foram entregues na região de São Paulo, Franco da Rocha, Francisco Morato, Pirituba e adjacências. Muitos milheiros de tijolos passaram pelas mãos calejadas dos irmãos do sítio de João Moreno.
 
Com o falecimento do pai João Moreno, na década de 70, os irmãos ficaram órfãos também nos negócios, mas as olarias continuaram.
 
Depois de um tempo, a construção de blocos de cimento começou a tomar espaço no mercado, até que todas as olarias foram desativadas.
 
Certo dia, muitos anos depois das olarias serem desativadas, eu fui na casa de uma avó e vi um pato tomando água em uma forma de tijolo. Pedi para a minha avó aquele acessório, o conservo desde a década de 90. Agora este acessório ficará com um de meus filhos, que será diplomado como engenheiro civil.
 
A família de São Paulo continua no segmento da construção civil, deixando sua marca em inúmeros lares.
 
Esta é a minha homenagem aos meus tios queridos que colocaram suas mãos no barro, com coragem, respeito, e sobretudo com a vontade de vencer honestamente.
 
João, Miguel, Elias, Conceição, esposas e primos, a todos eles o meu carinho.