A primeira conta bancária movimentada por mim foi no Banco Noroeste, agência Vila Nova Conceição, situada na época (1957), na Avenida Santo Amaro, 870. Nessa altura já estava começando a tomar conta da movimentação da papelaria que meu pai possuía na mesma avenida no número 984.
O controle da movimentação da conta corrente para o correntista, era feito de maneira (hoje) obsoleta. O banco fornecia uma caderneta onde eram transcritos manualmente as operações de entrada e saída de valores e o respectivo saldo.
De duas a três vezes por mês, eu levava a caderneta ao banco para uma atendente atualizá-la. Alguns anos depois a agência transferiu-se para o nº 1117 da mesma avenida, onde existe até hoje, só que com a bandeira Santander.
Nesse período abri também uma conta jurídica em nome da Papelaria. Com o constante desenvolvimento do comércio, na década de 60, abri também uma conta corrente jurídica no Banco Bradesco, agência Vila Nova Conceição, também na Av. Santo Amaro, no nº 919 (existe até hoje).
Para facilitar a movimentação particular do meu pai, abri também, nessa agência, uma conta corrente física em nome dele. Foi nessa conta que surgiu um inusitado equívoco que originou o motivo em escrever esta história.
O saldo que mantinha nessa conta, se transferida para os dias de hoje, seria o equivalente a uma média de mil e quinhentos reais. Periodicamente, mais ou menos a cada 10 dias, solicitava o saldo atualizado. Quando o valor era inferior a mil reais, sempre depositava um ou mais cheques de clientes e se necessário, completava com dinheiro para deixar sempre próximo da média que eu me propunha: mil e quinhentos reais.
Toda vez que solicitava o saldo da conta física pedia também a da jurídica e só verificava os detalhes quando chegava em minha residência à noite. Certa vez, depois de mais de dois anos de abertura das contas e depois de ter examinado a conta jurídica, passo a verificar a conta do meu pai.
Quando olho o saldo, tive um sobressalto! Lembro que dava para comprar um carro bem melhor do que eu tinha na época (Mercury 47). Imaginando a situação para os dias de hoje, seria como apresentar um saldo de R$ 31.300,00 sendo que R$ 1.300,00 seriam do meu pai e os outros R$ 30.000,00 "vindo do além".
O contato que mantinha nessa agência era com uma moça simpática, aparentando uns 25 anos, de nome, se não me engano, Rosa. No dia seguinte, logo após a abertura do banco, fui procurá-la. Tentei me aparentar nervoso, pois tinha o intuito em lhe dar um susto. Assim que me viu veio ao meu encontro.
Como sempre fazia, chegou dizendo:
– Olá Roberto, tudo bem?
– Não está tudo bem não, Rosa – respondi meio carrancudo – quero fazer uma grave reclamação contra o banco. A conta jurídica está perfeita, correta… mas a física, veja o que o banco fez com a conta do meu pai.
E mostrei o extrato. Quando ela viu o saldo, pôs a mão na testa e exclamou feliz, uma única palavra: “Descobrimos!”
Em seguida relata:
– Hoje é o 4º dia que estamos buscando sem sucesso o paradeiro desse valor que deixou de constar na conta corrente de um correntista. A gerência nos comunicou que fez o ressarcimento ao cliente e que se em sete dias não for localizado o valor, será feita minuciosa investigação e o responsável pelo engano será demitido por justa causa. Sua "reclamação" Roberto, veio em boa hora, obrigado. Depois eu faço o estorno, agora eu vou correndo comunicar a gerência.
E assim terminaram os momentos de perplexidade e a tensão dos funcionários. Hoje eu diria que, com o desfecho do episódio, tudo deve ter terminado em pizza, mesmo porque, a "Pizzaria Paulino", ficava quase em frente ao banco!!!