Morei sempre no bairro do Belém, porém minha história aconteceu no Tatuapé.
Estudei no Ascendino Reis, na Rua Tuiti; meus avós moravam na Rua Serra de Botucatu; e minha namorada, que depois veio a torna-se minha esposa, estudava no Colégio Lavosier, na Av. Celso Garcia.
Em conjunto com meus colegas de classe, no tempo que estudei no Ascendino Reis (pelos anos de 1963), organizávamos bailes nos sábados a noite, sendo uma semana na casa de cada colega, tanto das meninas como dos meninos.
Era muito legal e divertido. Éramos uma mocidade sem vícios, sem maldades e muita alegria estampada em cada um de nós. Éramos muito felizes.
Foram momentos mágicos: era uma emoção viver aqueles momentos com minha namorada e meus colegas. Que saudade!
Lembro-me de um episódio que tive com o nosso diretor do Ascendio, também em 1963, o Sr. Benedito…
Fui à escola com um caminhão que meu pai tinha reformado e estava sem carroceria. Guardei o caminhão dentro do pátio da escola, e fui pra minha sala. Quando estava na terceira aula fui chamado à diretoria.
Entrando na sala da diretoria, encontro o Sr. Benedito com uma fisionomia muito séria. Ele me disse o seguinte, assim que entrei e me sentei: “O senhor deveria pendurar uma mortadela no pescoço.”
E eu o questionei: “Sr. Benedito me desculpe, mas não entendi.”
Ele me explica: “Como o senhor coloca seu caminhão dentro do pátio? Se o senhor quer aparecer é melhor pendurar uma mortadela no pescoço! É mais prático e não tumultua. O senhor faz o favor de retirar já o caminhão do pátio, e na próxima vez que o senhor incidir nisso, serei obrigado a suspender o senhor.”
Pedi desculpas a ele com todo respeito e sai da sala. Era assim: fazíamos coisas inocentemente. Apenas com intuito de brincar, promover alegria entre os colegas, mas sempre sem maldades.
Me lembro que reuníamos na Praça Sílvio Romero, a nossa galera, um grupo de aproximadamente vinte cinco pessoas, entre rapazes e meninas. E lá ficávamos conversando, comendo pipoca e curtindo aquela alegria.
Hoje estou com sessenta e sete anos, viúvo, moro no interior, e embora aposentado, ainda trabalho em minha indústria. Sempre com as lembranças da minha adolescência e do Tatuapé, onde tive inúmeros momentos bons.
Se algum colega ou alguém que estudou no Ascendino nessa data, ler essa história entre em contato comigo. Quem sabe organizamos uma reunião, um jantar, algum encontro para lembrar os bons momentos.