O eterno e grande campeão

Dentro de nossa vibrante cidade de São Paulo, onde o futebol é uma autêntica paixão, estamos nós, palmeirenses, sofrendo toda sorte de gozação, principalmente dos torcedores do Corinthians e do São Paulo e também do Santos. Às vezes até da Portuguesa que também não anda bem das pernas. 
 
É uma tortura até que suportável, porém, desde que sejam gozações de caráter esportivo, sem a selvageria de alguns fanáticos que chegam a revides de ódio e vingança apenas por causa da cor das camisetas diferente das cores de seus times.
 
No embalo destas situações, é deplorável que muitos pensam dessa forma, até parentes bem íntimos, numa sanha inexplicável, chegando a zangas e aborrecimentos. Alguns chegam até a confrontar aspectos físicos com o time de sua predileção, num exemplo, mais ou menos assim, “fulano é baixo, com grandes orelhas por que ele é…” ou “olha aquele altão, o cabelo dele, só pode ser…” e por aí afora.
 
Nesta situação, pra aliviar um pouco meus dissabores, escrevi uma trovinha bem leve, vestindo sempre as cores esmeraldinas:
 
O “verdão”, recendendo a manjericão e a salsão,
Deixa seus simpatizantes numa amarga situação.
Não ganha um jogo, sequer, deixa a torcida na mão,
resta-nos lembrar, sempre que um dia já foi CAMPEÃO!
 
Um dia, revoltado com a notícia saída num dos principais jornais de São Paulo, do grupo “Estadão”, não aceitando o conteúdo da notícia, escrevi para eles. A nota foi um protesto que enviei e foi publicado no Jornal da Tarde, no dia 25/04/1997, onde fiz a seguinte reclamação:
 
“Protesto contra a manchete ‘Palmeirense da Mancha explodiu bomba no sul’ (Primeira página, 18/04/1997). Como torcedor do Palmeiras, não aceito que um marginal seja rotulado de ‘palmeirense’, generalizando de forma contundente a grande massa de torcedores alviverde. Vocês sabem que aquele jovem, de triste memória, que assassinou a família inteira era (ainda é) são-paulino?”
 
A nossa cidade de São Paulo é grande e portentosa porque tem sabores e dissabores em todas as situações.