O meu texto de hoje é sobre um pipoqueiro que tinha um carrinho em frente ao parque Trianon, na década de 1960.
A Avenida Paulista nos anos 60 era muito movimentada, principalmente à noite. O conjunto nacional tinha sido inaugurado a pouco e era uma novidade para os jovens namorados.
Depois das 20h, as prostitutas, os cafetões e todos os tipos de vendedores circulavam pela Avenida. Era uma passeata de pessoas até as quatro horas da madrugada.
O meu ponto favorito, e também dos meus amigos, era o carrinho de pipoca que ficava em frente ao parque. Lá a gente ficava sabendo de tudo o que acontecia no Trianon, já que o pipoqueiro era o fofoqueiro da noite. Até os policiais faziam ponto no carrinho de pipocas.
Em certo momento começamos a desconfiar da freguesia do pipoqueiro. Tinha muita gente, mas poucos comprando pipocas.
O carrinho de pipocas tinha virado ponto de tráfico. Faziam filas: prostitutas, cafetões, jovens, enfim todos os tipos de pessoas da noite paulistana.
Fazendo ponto no carrinho de pipoca a gente ficava sabendo dos assaltos que aconteciam na região. Todos os marginais que faziam ponto no carrinho ficavam comentando suas bravatas.
Começamos a evitar o famoso carrinho de pipocas.
Até que um bandido da noite, um tal de Bagdá – ele era amigo do famoso Nelsinho da 45, que foi morto pela polícia num hotel da Rua Augusta -, perguntou porque nós não frequentávamos mais o Trianon. Ficamos com muito medo.
O carrinho de pipocas era um quartel general do crime, na maravilhosa Avenida Paulista.
Nunca mais andamos por aquelas bandas. Depois de muitos anos fiquei sabendo que o pipoqueiro foi morto pelos traficantes…
Enfim, este texto é mais uma história verdadeira da bela Avenida Paulista.